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Sondagem a Centeno para o Eurogrupo “foi prestigiante para o nosso país”, assume Costa

José Caria

António Costa confirma manchete do Expresso do passado sábado, mas diz que “numa fase em que temos vários dossiês a negociar com Eurogrupo, não é uma prioridade a candidatura” do ministro das Finanças à presidência do organismo

O primeiro-ministro confirmou esta manhã em entrevista à Renascença as sondagens ao Governo para saber da disponibilidade em aceitar que o ministro das Finanças assumisse a liderança do Eurogrupo, em substituição do holandês Jeroen Dijsselbloem, conforme o Expresso avançou na sua edição de sábado. Assumindo que "foi feita a sondagem" e que esses contactos "foram prestigiantes para o nosso país", António Costa deixou, no entanto, pouca margem para que esse cenário se concretize para já.

"Numa fase em que temos vários dossiês a negociar com Eurogrupo, não é uma prioridade a candidatura de Mário Centeno à presidência do Eurogrupo. Julgamos que nesta fase é útil o ministro das Finanças ter uma margem de liberdade maior de movimentação no Eurogrupo", defendeu Costa, recordando que o ministro das Finanças que assume esse cargo "tem uma limitação acrescida" no desempenho das suas funções. "Ou devia ter, o que não é o caso do senhor que tem essas funções", acrescentou de seguida, numa referência às recentes polémicas em torno de declarações de Dijsselbloem sobre a forma como os países do sul geriram as suas contas públicas.

"Não tenho a menor dúvida de que Mário Centeno seria um excelente presidente do Eurogrupo. Mas há mais marés que marinheiros", conclui Costa, fechando assim a porta à possibilidade de Centeno trocar o Terreiro do Paço por Bruxelas.

Uma tese que coincide com a perspetiva do Presidente da República, que no sábado, em reação à notícia do Expresso, garantiu que não tinha sido informado sobre esta possibilidade mas que a considerava negativa para o país. "Acho que seria uma má solução para Portugal, porque o ministro das Finanças faz falta em Portugal, com o devido respeito que há pela presidência do Eurogrupo", reagiu então Marcelo Rebelo de Sousa.