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Costa sobre Novo Banco: “Não vivemos na Alice no País das Maravilhas”

José Sena Goulão / Lusa

Primeiro-ministro diz que Montepio “é problema conciso e limitado”. Banco mau continua a ser defendido pelo Governo

O primeiro-ministro António Costa defendeu esta manhã que "face ao que se tem vivido" no sistema financeiro português, os problemas no Montepio têm um carácter "conciso e limitado". E garantiu que o Governo fará tudo o que estiver ao seu alcance para "assegurar a estabilidade a quem confiou as suas poupanças a esta instituição".

Em entrevista à Rádio Renascença, António Costa disse estar "tranquilo" em relação aos problemas que têm sido noticiados sobre o Montepio. "Nos produtos financeiros que têm a tutela do Ministério do Trabalho estamos tranquilos", sublinhou, defendendo que o silêncio que o ministro com a tutela do Montepio, Vieira da Silva, não deve ser confundido com inação: "Nem sempre falar é a melho forma de resolver os problemas", argumentou Costa, recordando estar em curso um trabalho para criar "um novo modelo de supervisão" que abranja o Montepio.

O primeiro-ministro considerou ainda, na mesma entrevista à Renascença, que a solução de venda encontrada para o Novo Banco oferece "riscos francamente minorados relativamente à proposta inicial e às alternativas em cima da mesa".

O chefe de Governo insistiu que foi o comprador que quis a presença do Estado no NB, através da manutenção de 25% do capital, e que isso "credibiliza o banco, a solução", mas que não significa que o Estado queira ficar para sempre com essa participação.

“Não vivemos na Alice no País das Maravilhas, mas o sistema financeiro estava há um ano numa situação dramática e ao longo deste ano fomos melhorando: o Novo Banco foi vendido e está em condições de arrancar, a CGD está capitalizada, o Millenium está capitalizado, o Montepio tem questões ainda a resolver, e é preciso encontrar um bom mecanismo para o crédito mal-parado”, explicou.

Sobre a capitalização da CGD, Costa admitiu que o défice de 2017 possa "ficar próximo dos 3,1%", mas está relativamente tranquilo sobre a saída do Procedimento de Défice Excessivos.

"Não vejo nenhuma razão para não sairmos", diz Costa, embora admita que, em matéria de estatística europeia, há que ser cauteloso até a decisão ser tomada.

A ideia de criação do chamado banco mau, por outro lado, ainda não foi abandonada pelo Governo. O primeiro-ministro defendeu a necessidade de "um mecanismo" para evitar a perda de valor de ativos que não devem ser tratados como lixo.