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Marques Mendes: Venda do Novo Banco “é a solução possível”

A venda do Novo Banco à Lone Star, a notícia de que Mário Centeno, ministro das Finanças, terá sido “sondado” para suceder a Jeroen Dijsselbloem na presidência do Eurogrupo — que pensou tratar-se de “uma brincadeira de dia 1 de abril” —, e a agressão a um árbitro por parte de um jogador do Canelas. Eis alguns dos temas abordados por Luís Marques Mendes este domingo, no seu espaço habitual de comentário na SIC

Helena Bento

Jornalista

A venda do Novo Banco ao fundo de investimento Lone Star pode não ser “a melhor alternativa”, mas é a “menos má” de entre aquelas que existiam, como a “falência, que seria um desastre”. É, em suma, “a solução possível”, considera Marques Mendes, para quem o banco não foi vendido, mas antes “dado”. “Em linguagem simples, direta e popular, o banco não foi vendido, foi dado. Não digo isto de forma pejorativa ou depreciativa, porque sinceramente acho que não havia melhor solução”.

Há até aspetos “positivos” desta negociação, “que foi muito bem feita pelas autoridades portuguesas”, como o facto de “se ter resolvido o problema e atraído investimento estrangeiro”, salientou Marques Mendes, que falava no seu espaço habitual de comentário na SIC. “Isto tambem é bom negócio para a Lone Star porque este banco tem muito potencial”, acrescentou. E quais os aspetos negativos?, perguntou a jornalista do canal televisivo, ao que o comentador respondeu: “O Estado ter 25%, mas não ter poder, e o encerramento de alguns balcões — 40 a 50, segundo imposição de Bruxelas — e a redução do número de trabalhadores que isso implica.” Questionado sobre as críticas dos outros partidos ao processo de venda, Marques Mendes disse apenas que “PSD e CDS estiveram lá e não conseguiram vender o banco”.

Centeno no Eurogrupo: “Essa história não é muito credível”

Outro dos assuntos abordados por Luís Marques Mendes este domingo à noite, na SIC, foi o facto de Mário Centeno, ministro das Finanças, ter sido “sondado” para suceder a Jeroen Dijsselbloem na presidência do Eurogrupo, conforme foi noticiado pelo Expresso. Na opinião do comentador, “esta história não é muito credível”, de tal modo que até pensou tratar-se de “uma brincadeira de dia 1 de abril”, dia das mentiras. Não é que Centeno não tenha as “competências para isso, porque tem, mas não seria muito credível para o Eurogrupo ter o ministro das Finanças da chamada 'geringonga' na sua presidência”.

Ainda no âmbito do Governo, Marques Mendes aproveitou para fazer uma breve análise à coligação dos partidos da esquerda. Na sua opinião, o primeiro-ministro, António Costa, “tem o PCP e o BE no bolso”, de tal modo os “dois partidos estão domesticados”, correndo o risco de se “descaracterizarem”. “O PCP e o Bloco vivem em pânico com a ideia de que se fizerem alguma coisa mais dura, Costa provoque uma crise e vença eleições com maioria absoluta.”

Sobre as previsões do Banco de Portugal de um crescimento de 1,7% em 2018 e 1,6% em 2019, Marques Mendes relembrou que “2017 vai ser um dos melhores anos de crescimento económico” e afirmou que estamos perante “um ciclo económico altamente favorável ao Governo de António Costa”, uma vez que o primeiro-ministro, embora não o revele, estará a “trabalhar com um objetivo, que é a maioria absoluta”.

“É preciso mão pesada e sanções a nível disciplinar e criminal”

Marques Mendes teve ainda tempo para falar sobre o incidente deste domingo no jogo entre o Rio Tinto e o Canelas, que estava praticamente a começar quando um atleta do Canelas, Marco Gonçalves, agrediu o árbitro José Rodrigues. O comentador considera que a situação “merece mão pesada, tanto no plano disciplinar, como no plano criminal”, de modo a evitar que incidentes como este voltem a acontecer.

Na opinião de Marques Mendes, muitas vezes são os treinadores e dirigentes que criam situações como esta, uma vez que “têm um comportamento que apela à violência”, mesmo que “indiretamente” e mesmo que esta violência seja apenas “verbal”, pelo que as sanções a aplicar sobre eles “deveriam ser mais pesadas”. “Se o exemplo vem de cima e de cima vem o exemplo da violência verbal, então isso contamina tudo”, disse.