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Carmona Rodrigues: “Resultado em Lisboa vai ter consequências no PSD”

nuno botelho

Entrevista ao antigo presidente da Câmara de Lisboa pelo PSD e atual mandatário da candidatura de Assunção Cristas à capital

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Texto

Jornalista da secção Política

Nuno Botelho

Nuno Botelho

Fotos

Fotojornalista

Carmona Rodrigues não põe de parte a hipótese de um dia voltar à política a sério, mas, por ora, o ‘regresso’ é suave, sob a forma do apoio a Assunção Cristas (que, entretanto, o convidou para ser seu mandatário de campanha).

Regressa à política com o apoio a Assunção Cristas.
Não se trata de um regresso. Quem passa pela política fica com um certo bicho, é natural. Eu já conhecia Assunção Cristas pelo trabalho como ministra do Ambiente e sempre tive dela uma imagem muito positiva. Quando decidiu ser candidata, apareceu com um discurso muito assertivo e focado em áreas que acho críticas para a cidade.

Declarou-lhe o apoio muito cedo, quando Santana Lopes ainda podia avançar.
Já não o tinha apoiado quando ele se candidatou em 2009. Disponibilizei-me logo para apoiar Cristas porque acredito na sua energia, nas suas ideias. É a vantagem de olhar mais para as pessoas do que para a cor partidária, o que é muito válido nas autárquicas. Olhei para a candidata do CDS, mas podia ter sido a do PSD ou o do PS (apesar de nunca ter votado PS). Até porque tenho simpatia por Medina.

Mas passou-lhe pela cabeça apoiá-lo?
Não! Sobretudo enquanto ele estiver rodeado por algumas pessoas. Muitas das coisas que lhe têm sido criticadas não estou seguro que tenham sido ideias dele: o projeto para a Segunda Circular, as obras em simultâneo, o embelezamento no eixo central. Tanto dinheiro gasto para tão pequena mais-valia! O que me choca é que nas zonas mais carenciadas não se gasta um tostão. Além de que foi uma oportunidade perdida: podia ter-se aproveitado a obra no eixo central para fazer uma galeria técnica para pôr lá as infraestruturas todas para evitar as constantes aberturas de valas sempre que é preciso reparar qualquer coisa no subsolo. Fala-se tanto de smart cities, teria sido smart.

Quando chegar a 1 de outubro, Cristas há um ano que anda na rua. A vida não está fácil para Teresa Leal Coelho.
A maior dificuldade dela é a das outras oposições na CML: tirando o CDS, mais ninguém fez oposição.

Isso pode levar o CDS a ficar à frente do PSD?
Até espero que ganhe, que fique à frente do PS.

É sempre difícil desalojar um presidente em funções.
Sim, quem está no poder tem vantagens. Nas autárquicas as pessoas tendem a apostar na continuidade, a não ser que algo não tenha corrido bem.

O que pode correr mal na gestão de Medina?
Muita coisa. A CML está em 137º lugar, no país, em temos de transparência. Abriu-se uma cratera na Avenida de Ceuta, fechou-se o viaduto de Alcântara; ninguém nos disse porque aconteceu. Fica a sensação de que nos estão a esconder qualquer coisa. Depois, as “taxas e taxinhas”: não houve uma taxa que não tenha sofrido aumentos enormes, além de ter criado novas taxas, como a de proteção civil — de legalidade duvidosa e que Cristas já disse que é para extinguir.

Não ter havido uma coligação PSD/CDS foi um erro?
Aritmeticamente podia ter sido interessante somar. Foi uma pena não se ter trabalhado mais nessa hipótese. Não sei se foram os prazos impostos por Santana...

Passos Coelho devia ter-se candidatado ele próprio?
Essa nunca foi uma hipótese séria. O que acho é que o PSD devia ter vários nomes de qualidade para apresentar e é estranho ter demorado tanto tempo para apresentar um candidato que tem o seu peso, é vice-presidente do partido, mas...

... que é de recurso?
... que não vai ter muito tempo para se afirmar no eleitorado. É preciso muito mais para ganhar eleições do que a cor do partido. Tem um peso grande na hierarquia, mas a sua imagem junto da população lisboeta não está assim tão enraizada.

Vai tirar-se uma ilação nacional das autárquicas, sobretudo em Lisboa, para o PSD?
Um partido de implementação nacional como o PSD faz sempre uma reflexão sobre os resultados. E o facto de não ter feito oposição em Lisboa vai penalizá-lo.