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TVI quer estrear Portas na visita do Papa a Fátima

José Caria

Assinaram contrato há 10 meses. Paulo Portas não tem tido pressa. A TVI pressiona com o 13 de maio. Será desta?

Um ano depois de ter assinado um contrato com Paulo Portas, a TVI espera tê-lo no ecrã em maio para comentar a visita do Papa Francisco a Portugal. A direção de Informação do canal confirmou ao Expresso que tem uma data para a estreia e espera poder cumpri-la. A expectativa é que Paulo Portas consiga arranjar tempo na sua pesada agenda internacional para fazer os ensaios que o novo formato interativo previsto para o programa exige para que tudo corra bem.

Quando Portas assinou com a TVI em maio, a estação anunciou a sua presença semanal no “Jornal das 8” e, embora não se tenha comprometido com datas, antecipou que a estreia seria “nas próximas semanas”. Mas Paulo Portas nunca teve pressa. Após 30 anos na alta roda da política nacional pura e dura, acabadinho de sair do Governo da troika e de umas eleições legislativas que ganhou em parceria com Pedro Passos Coelho mas em que acabaram apeados do poder, o ex-líder do CDS e ex-vice-primeiro-ministro cheirou o que aí vinha e optou por uma sabática. Virou-se de Portugal para o mundo, em duas frentes: numa, para fazer consultoria internacional e iniciar-se no influente universo das conferências globais; noutra, para (mantendo um pé cá dentro) assumir o papel de comentador televisivo de política internacional, com ocasionais incursões na política caseira.

A direção de informação da TVI confirmou ao Expresso que o que está previsto é isso mesmo: “Manter sempre uma saída para a política nacional”. E o próprio Portas disse-o quando, em maio, foi recebido na estação para assinar o contrato. “O que é global quase sempre acaba por ser nacional”, afirmou na altura. A fronteira será flexível, mas Paulo avança devagarinho e sem pressas. Neste primeiro ano de Governo da ‘geringonça’, recheado de incursões na memória do Governo Passos/Portas, seja por causa da banca seja por causa dos offshores, Portas foi rigoroso a fazer o seu ano de luto. Que a direção do canal espera estar a acabar.

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Houve razões da própria TVI para o atraso. A ideia de lançar um formato inovador e interativo, com muita tecnologia, acabou por exigir a entrada em funcionamento de um novo estúdio, cuja construção só ficou concluída em fevereiro. E essa foi a principal razão para Paulo Portas não se ter estreado na rentrée deste ano político, logo a seguir ao verão, como chegou a estar previsto.

Mas o facto de o ex-vice-primeiro-ministro raramente estar em Lisboa complicou as coisas. Desde 20 de fevereiro, quando o estúdio ficou pronto, até agora, a direção da TVI nunca conseguiu sentar-se a falar com ele, uma dificuldade partilhada pelos jornalistas que, sem êxito, tentaram ouvi-lo sobre algumas das mais recentes polémicas da agenda caseira, incluindo quando Paulo Núncio, ex-secretário de Estado pela quota do CDS, esteve na berlinda por durante o anterior Governo ter decidido não publicitar as transferências de milhares de milhões de euros para offshores.

Agarrar Paulo Portas não está fácil. Mas a direção do TVI acredita que está para breve. “Nós temos uma data”, confirmaram ao Expresso, e é pelo 13 de maio. Se Paulo Portas não a furar, claro, e conseguir arranjar agenda e tempo para fazer o que falta. É que para contornar o risco que sempre seria um espaço unipessoal de comentário de temas internacionais em horário nobre, a estação mandou-se para um formato que vai exigir várias sessões experimentais (terá de interagir com mapas e dominar bem o espaço onde se vai mover). Para isso, é preciso Portas aterrar em Lisboa. E sentir-se no ponto para voltar a subir ao palco.