Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

PCP lamenta e antecipa custos para o orçamento de Estado

Aquilo que testemunhámos uma vez mais foi o Estado utilizar os recursos dos portugueses para limpar o balanço de um banco”, afirmou Miguel Tiago

O deputado comunista Miguel Tiago lamentou esta sexta-feira a solução de venda do Novo Banco ao grupo norte-americano Lone Star, anunciada antes pelo Banco de Portugal e pelo Governo socialista, prevendo que terá custos para o orlamento de Estado.

“O negócio que agora vemos apresentado aos portugueses e que se traduzirá num novo custo sobre o Orçamento do Estado e o esforço dos trabalhadores demonstra bem a necessidade de travar o processo de alienação. Aquilo que testemunhámos uma vez mais foi o Estado utilizar os recursos dos portugueses para limpar o balanço de um banco”, afirmou, no parlamento.

O primeiro-ministro afirmara antes que a privatização de 75% do banco originado pela resolução do BES não terá impacto direto ou indireto nas contas públicas, nem novos encargos para os contribuintes, constituindo “uma solução equilibrada”.

“Passos Coelho e Maria Luís Albuquerque também já tinham dito que os portugueses não assumiriam os custos imputados ao Fundo de Resolução. A verdade é que, para já, prevê-se que os bancos pagarão, quando muito, daqui a 40 anos, aos poucos, a dívida do empréstimo do Estado de 3,9 mil milhões de euros”, contrariou o parlamentar do PCP, referindo-se ao ex-primeiro-ministro e ex-ministra das Finanças.

Segundo Miguel Tiago, há agora a hipótese de os portugueses se verem a braços com “novos compromissos, que podem ter um valor muito substantivo” e, “se calhar”, reaver “oito mil milhões de euros, mas só daqui a 80 anos”.

“[Os dados] Confirmam a justeza da proposta do PCP que foi votada na Assembleia da República no dia 2 de fevereiro, que determinava o controlo público do Novo Banco, e foi rejeitada por PS, PSD e CDS”, insistiu, reiterando que se trata de uma “má solução” com a qual “o PCP não se comprometerá em nenhum aspeto”, tal como face ao “espartilho do colete de forças da União Europeia”.

António Costa admitiu que foi estudada a hipótese de o Novo Banco ser nacionalizado, mas advogou que essa opção, a ser implementada, implicaria encargos para os contribuintes de até 4,7 mil milhões de euros.

O grupo norte-americano de fundos de investimento Lone Star vai realizar injeções de capital no Novo Banco no montante total de 1.000 milhões de euros, dos quais 750 milhões de euros logo no fecho a operação e 250 milhões de euros até 2020, anunciou o governador do Banco de Portugal, Carlos Costa, confirmando a venda e assinatura dos documentos contratuais por parte do Fundo de Resolução.