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PSD acusa Centeno de “desresponsabilização” no Montepio

“Porque o Governo é responsável, porque o ministro das Finanças faz um exercício de desresponsabilização, torna-se necessário que sejam dados esclarecimentos aos portugueses sobre o que o Governo está a fazer e se está a cumprir a sua função de supervisão”, aponta António Leitão Amaro, vice-presidente da bancada parlamentar

O PSD acusa o ministro das Finanças de uma tentativa de desresponsabilização em relação ao grupo Montepio, e defende que o Governo tem "um papel efetivo de supervisão", em particular quanto à Associação Mutualista.

Em declarações aos jornalistas esta quinta-feira, o vice-presidente da bancada do PSD António Leitão Amaro criticou o teor da entrevista de Mário Centeno ao jornal "Público" e à Rádio Renascença, na qual, quando questionado sobre o Montepio, o ministro responde: "Estou descansado quanto ao meu trabalho".

"O grupo Montepio tem uma situação única, para além da supervisão financeira do Banco de Portugal quanto à Caixa Económica, o Governo tem um papel efetivo de supervisão relativamente a este grupo, em particular quanto à Associação Mutualista", sublinhou Leitão Amaro, que falava na Assembleia da República.

O vice-presidente da bancada do PSD diz que a entrevista do governante lhe suscita "duas preocupações". "Em primeiro lugar, o ministro das Finanças claramente passa a responsabilidade: ou tentou passar culpa para o seu colega de Governo, o ministro Vieira da Silva, revelando uma falta de solidariedade; ou todo o Governo está numa situação de inação e não cumprimento do seu mandato de supervisão relativamente ao grupo Montepio, em particular a Associação Mutualista", aponta.

Por outro lado, Leitão Amaro salienta que, nas últimas semanas, têm sido noticiados "factos relevantes" sobre o grupo Montepio e sobre o presidente da Associação Mutualista Tomás Correia, "situações graves" que seriam do conhecimento do Governo "há meses".

"Porque o Governo é responsável, porque o ministro das Finanças faz um exercício de desresponsabilização, torna-se necessário que sejam dados esclarecimentos aos portugueses sobre o que o Governo está a fazer e se está a cumprir a sua função de supervisão", afirma, sublinhando que o executivo socialista "está em funções há 16 meses", já tendo decorrido cerca de um terço do seu mandato.

Questionado sobre outra passagem de entrevista de Centeno, na qual o ministro admite que o IRS poderá baixar em 2018 para "os que mais necessitam", o deputado do PSD escusou-se a comentar, considerando que "na prática o ministro não disse nada e remeteu para vontades vagas".

Na entrevista ao "Público" e à Renascença, e quando questionado se está descansado quanto ao futuro do Montepio, Centeno responde: "Eu estou descansado em relação ao meu trabalho em relação a essas situações. Não quero que esta minha resposta seja lida de outra maneira que não seja esta que acabei de lhe dar. Todas as instituições financeiras portuguesas, para terem uma situação estável, quando projetada no futuro, precisam de uma economia que as sustente, e o inverso também é necessário. O que temos estado a fazer reforça o sistema financeiro".