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Política

Novo Banco: PCP não bloquearia venda porque não quer liquidação

Ana Baião

PCP diz que “não subscreve” nenhuma solução para o Novo Banco que não passe pela nacionalização. E garante que “não abdicará de nenhum instrumento” para que banco fique na esfera pública

O PCP voltou a criticar esta tarde a possibilidade de o Novo Banco ser vendido e insistiu na ideia de que a solução para o banco que resultou da implosão do BES deve passar pela sua integração na esfera pública. Caso contrário, defendeu o deputado comunista Miguel Tiago, a venda do Novo Banco confirmará que "o Estado volta a servir apenas de câmara de limpeza dos bancos e dos crimes dos banqueiros" com dinheiro público para depois vendê-los, sem benefícios para os contribuintes.

Sem comentar as informações ontem partilhadas pelo Governo na reunião que manteve com o PCP, Miguel Tiago sublinhou ser entendimento do partido que o executivo socialista poderá avançar para a venda do Novo Banco sem um decreto-Lei, o que impossibilitará a respetiva apreciação parlamentar e eventual rejeição do negócio.

Mas mesmo que essa apreciação pudesse ser feita, o deputado comunista deixou o alerta. "O PCP não quer apenas bloquear esta venda, porque a eventual rejeição desse decreto Lei, por si só, resultaria na liquidação do Novo Banco. E o que o PCP quer é que ele fique na esfera pública", insistiu, garantindo que o partido "não abdicará de nenhum instrumento" ao seu alcance para que isso aconteça, se existirem outros momentos em que a Assembleia da República possa pronunciar-se sobre esta operação.

Recordando que o processo atual de venda do Novo Banco resulta de "profundas responsabilidades do anterior Governo PSD/CDS no custo muito grande que agora recairá sobre os portugueses", Miguel Tiago lamentou também que a venda que agora se anuncia acontece por "imposições da UE" e pela "aceitação dessas imposições pelo Governo PS".

"A decisão pela venda do Novo Banco ocorreu a 2 de fevereiro, quando o PCP trouxe ao Parlamento o debate para que o Novo Banco ficasse na esfera pública, mas PS, PSD e CDS votaram contra", lembrou.