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Governo “fará tudo” para evitar novas baixas nos Comandos

TIAGO PETINGA / LUSA

Ministro Azeredo Lopes está a ser ouvido na comissão parlamentar de Defesa

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

Carlos Abreu

Jornalista

O ministro da Defesa José Azeredo Lopes afirmou hoje na respetiva Comissão parlamentar que "não pode garantir" que ocorram factos como aqueles que ocorreram no último curso de Comandos, que resultou na morte de dois instruendos.

No próximo dia 7 de abril inicia-se um novo curso, que segundo noticia hoje o "Diário de Noticias", tem cerca de 100 candidatos.

Azeredo Lopes respondia a questões levantadas por todos os partidos relativamente aos Comandos. Para o ministro, não é possível dar essas garantias, mas "fazer tudo tudo o que estiver ao alcance do Ministério da Defesa para criar condições na formação para evitar tais ocorrências ".

O ministro já tinha abordado que, à parte o plano jurídico, cujo processo corre os seus termos, no plano militar tinham sido tomadas medidas para corrigir as falhas. E recusou a sugestão do PCP de só reiniciar o curso depois de apuradas todas as responsabilidades, já que isso é matéria do foro judicial. No Exército, afirmou, tanto a avaliação como a correção estão praticamente finalizadas.

"Os Comandos são forças com um treino muito particular, que responde a exigências muito particulares. A formação vai ter o mesmo patamar de exigência, mas evitando-se os erros que nada têm a ver com essa exigência ", disse o ministro, sublinhando que se tratou de uma "situação anormal".

As candidaturas de militares da categoria de praças terminaram a 23 de março. Segundo o governante, o curso 128 começa a 7 de abril. “O número de candidatos está em linha com o que foi a média de candidaturas dos últimos cursos de comandos”, afirmou Azeredo Lopes.

Perante a insistência dos deputados, Azeredo Lopes começou por lembrar a Bruno Vitorino do PSD que a inspeção técnica extraordinária levada a cabo pelo Exército apontou para a necessidade de corrigir o referencial do curso e de submeter os futuros candidatos a uma avaliação médica mais rigorosa. “Não foi falhado um único prazo”, sublinhou o ministro.

O PCP, pela voz de Jorge Machado, também questionou Azeredo Lopes sobre o tema comandos. O deputado comunista queria saber se o curso 128 não estaria a abrir “antes de tempo”. Claro que não, deu a entender o ministro lembrando que a decisão de retomar esta formação em abril foi tomada em fevereiro e que os processos disciplinares movidos pelo Exército “estão praticamente concluídos”. Já o “apuramento das responsabilidades criminais” resultantes do processo de investigação a cargo do Ministério Público e da Polícia Judiciária Militar deverá levar “anos”, anteviu o governante.

Para além da inspeção técnica extraordinária, o Exército moveu processo disciplinares a três militares, a saber, o diretor do curso, tenente-coronel Mário Maia, o capitão-médico Miguel Domingues e o instrutor sargento Ricardo Rodrigues. Pelo menos dois deles foram sancionados mas recorreram dos castigos aplicados pelo comandante das Forças Terrestres, o tenente-general Faria Menezes, para o chefe do Estado-Maior do Exército, general Rovisco Duarte.

O curso 127 de Comandos ficou marcado pela morte de dois militares, em setembro. O curso registou também o maior número de desistências dos últimos quatro, com 27 dos 67 instruendos iniciais a decidirem abandonar a formação.