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Rui Moreira: “A CGD foi o banco de favores do regime”

LUCÍLIA MONTEIRO

O autarca do Porto acusou o Parlamento de “não discutir a essência” do problema da Caixa Geral de Depósitos (CGD), optando por abordar questões como a troca de SMS entre Centeno e Domingues

O presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, criticou esta terça-feira a atuação do Parlamento por "não discutir a essência" do problema da Caixa Geral de Depósitos (CGD) e considerou que o banco "não tem prestado um serviço público".

"Quem foram as pessoas que conduziram a Caixa à situação atual? (...) Não foram os trabalhadores da agência dos Pinhais da Foz que contribuíram para a roubalheira", afirmou o autarca esta manhã, em reunião de câmara, na qual foi chumbada uma moção do vereador da CDU que pretendia que o executivo mostrasse desagrado pelo encerramento de dois balcões na cidade.

Para Moreira, o serviço público prestado pela CGD "tem funcionado como o condicionamento industrial de Salazar, inclusive serviu de veículo para tomar conta de outro banco".

O independente criticou o Parlamento por "insistir em discutir questões" que, no seu entender, "não têm interesse", como a troca de SMS, em vez de explicar como foi "a CGD usada para obtenção de créditos de negócios que nunca foi garantidos, quem incumpriu, quem foram os grupos de pressão que conseguiram que esses créditos fossem obtidos".

"O que aconteceu e que tem sido ocultado é que a CGD foi o banco de favores do regime", sublinhou.

Sobre o encerramento de duas agências na cidade – Pinhais da Foz e S. Lázaro -, Moreira disse estar "muito preocupado" quanto ao eventual desemprego dos seus funcionários e que a situação o preocupa "tanto como o encerramento de uma mercearia".

O PSD e CDS-PP pediram esta terça-feira a entrega de "toda a documentação" trocada entre o Ministério das Finanças e a anterior administração da CGD liderada por António Domingues relativa à entrega de declarações de rendimentos e património.

Num dos pontos do requerimento, PSD e CDS pedem "toda a documentação trocada entre o Ministério das Finanças ou qualquer membro dos respetivos gabinetes governamentais e a administração liderada por António Domingues, relativa à alteração do Estatuto do Gestor Público e suas implicações, designadamente quanto à declaração de rendimentos e património, incluindo declarações, notas ou comunicados emitidos por qualquer uma das partes".

Além de muitos outros documentos, os dois partidos - que constituíram potestativamente (de forma obrigatória) esta segunda comissão – pedem as audições de António Domingues, de Ricardo Mourinho Félix, secretário de Estado Adjunto e das Finanças, de Carlos Costa, Governador do Banco de Portugal, e de Mário Centeno, ministro das Finanças.

Um dos pontos centrais desta segunda comissão de inquérito - que tem por objeto a atuação do Governo na nomeação e demissão da anterior administração da Caixa – será apurar se "é verdade ou não que o ministro [das Finanças] negociou a dispensa da apresentação da declaração de rendimentos [de António Domingues]", o que tem sido negado por Mário Centeno.

Na primeira comissão, que se debruça sobre a gestão da Caixa Geral de Depósitos (CGD) desde o ano 2000 e sobre os motivos que estão na origem da necessidade de recapitalização do banco público, a esquerda parlamentar inviabilizou vários pedidos do PSD e CDS-PP de audições e diligências por estarem fora do objeto, motivo que levou os dois partidos a constituírem de forma potestativa (obrigatória) este segundo inquérito.

Também o BE anunciou esta terça-feira que quer ouvir, na segunda comissão de inquérito à Caixa, o ministro das Finanças e o anterior presidente do banco, pedindo ainda as atas das reuniões do Conselho de Administração presidido por António Domingues.

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