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CDS insiste que é favorável à venda total do Novo Banco

Tiago Petinga/Lusa

“O CDS é defensor de um banco 100% público – chama-se Caixa Geral de Depósitos – e entende que o resto da banca não deve ter participação do próprio Estado”, afirmou Assunção Cristas à margem da visita a uma escola em Cascais

A líder do CDS-PP, Assunção Cristas, disse esta terça-feira que o partido aguarda para saber em concreto o que está a ser preparado pelo Governo para a venda do Novo Banco, reiterando ser favorável à alienação total da instituição.

"Nós aguardamos para saber em concreto o que é que está a ser preparado, o que é que está a ser decidido, seja pelo Banco de Portugal, seja pelo Governo, mas o que lhe posso dizer é que nós, de base, somos favoráveis a uma venda total do Novo Banco", respondeu Assunção Cristas à agência Lusa quando questionada sobre a venda do Novo Banco.

À margem de uma visita à Escola Secundária Ibn Mucana, em Alcabideche, Cascais, a líder centrista disse apenas querer saber "em detalhe, exatamente qual é o projeto", porque "até agora o que há é notícias, mas não há nenhuma comunicação por parte do próprio Governo" e, portanto, a posição de base do CDS-PP "não se alterou".

"O CDS é defensor de um banco 100% público - chama-se Caixa Geral de Depósitos - e entende que o resto da banca não deve ter participação do próprio Estado. Essa é a nossa posição de base e é este o enquadramento com o qual nós refletiremos sobre todas as posições e neste momento nada se alterou nessa matéria para nós também termos que estar aqui a alterar uma posição", sublinhou.

Assunção Cristas passou cerca de duas horas a falar e a responder a uma plateia de alunos, tendo sido questionada sobre a sua atividade política, vida pessoal e sobre temas como eleições autárquicas e situação europeia.

À agência Lusa, quando interrogada sobre as metas autárquicas do CDS-PP para as próximas eleições, a presidente centrista foi perentória: "há que ter humildade em política, mas há que ter ambição e sonho e é por isso que para o CDS o que ficou definido no congresso é crescer autarquicamente".

"O que é que isso significa na prática? Depende de cada concelho, de cada freguesia, de cada distrito. Há sítios onde nós não temos ninguém do ponto de vista autárquico e onde ambicionamos conquistar um lugar numa junta ou numa assembleia municipal. Há outros sítios onde já podemos ambicionar um vereador ou um presidente de câmara", detalhou.

Em Lisboa, onde encabeça a lista do partido à Câmara Municipal, Assunção Cristas promete dar o seu "melhor para merecer também aquilo que os lisboetas entenderem".

"Eu tenho dito muito que gostaria muito de ser presidente da Câmara de Lisboa", insistiu, assegurando que acumulará a função com a líder do CDS-PP uma vez que não vê "nenhuma incompatibilidade nisso".

Sobre a Europa, a presidente do CDS-PP considerou que "a Europa vive um momento de refundação, da necessidade de valorizar aquilo tudo que conquistou" e que às vezes é dado "de barato", como o caso da paz, da moeda única e da liberdade de circulação de pessoas.

O primeiro-ministro, António Costa, revelou esta terça-feira que o Governo tem a expectativa de concluir a venda do Novo Banco até ao final desta semana.

No Funchal, na ilha da Madeira, questionado pela agência Lusa se a situação do Novo Banco estaria resolvida até ao final da semana, António Costa respondeu apenas: "Sim, é essa a expectativa que temos".

Na segunda-feira, a coordenadora do BE, Catarina Martins, insistiu que é um "erro" vender o Novo Banco a privados, salientando que o Governo não terá o apoio do partido neste processo.

No mesmo dia, o PCP disse que não tem prevista nenhuma reunião com o Governo sobre o Novo Banco e reafirmou que a instituição deve ser integrada no setor público bancário.

A comissária europeia da Concorrência, Margrethe Vestager, admitiu também na segunda-feira a possibilidade de o Estado português manter 25% do capital do Novo Banco, mas apontou que então deverá assumir outros compromissos, escusando-se a especificar quais.