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Bloco quer acesso a atas de reuniões da CGD na presidência de Domingues

luís barra

PCP e PS vão “esperar para ver” o curso dos trabalhos da nova Comissão de Inquérito à atuação do Governo na nomeação e demissão da anterior administração da Caixa para decidir se requerem alguma audição. Bloco quer acesso a atas e pede para ouvir a consultora McKinsey, contratada por António Domingues para ajudar no plano de recapitalização do banco público

O Bloco de Esquerda quer ter acesso às atas das reuniões do Conselho de Administração da Caixa Geral de Depósitos durante a presidência de António Domingues, no âmbito da nova Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), criada a pedido do PSD e do CDS, para avaliar a atuação do Governo na nomeação e demissão do ex-presidente do banco público, António Domingues.

O requerimento enviado pelos bloquistas para o presidente desta comissão - o social-democrata José Pedro Aguiar Branco - contempla ainda o pedido de audições a Domingues, ao Ministro das Finanças Mário Centeno e ao secretário de Estado Adjunto e das Finanças Mourinho Félix e à ex-diretora-geral do Tesouro e das Finanças Elsa Roncon.

O Bloco de Esquerda pretende também ouvir nesta CPI elementos do escritório de advogados CS Associados - Campos Ferreira, Sá Carneiro & Associados, responsável pela redação do projeto de decreto-lei que esteve na base da exclusão dos administradores da CGD do estatuto de gestor público (supostamente negociado por Domingues com o Governo como condição para aceitar presidir à CGD, mas posteriormente chumbado no Parlamento) e ainda responsáveis da consultora McKinsey, contratada por António Domingues para o ajudar na elaboração do plano de recapitalização e reestruturação do banco público.

A CPI reúne esta tarde para apreciar os primeiros requerimentos apresentados por todos os grupos parlamentares e delinear o arranque formal dos trabalhos. Os primeiros requerimentos a serem conhecidos foram os do BE e nas próximas horas serão divulgados os requerimentos PSD e do CDS (que deverão ser conjuntos) e do PS.

Nesta primeira fase, o PCP e o PS não avançarã com requerimentos para pedir documentos ou solicitar audições. "O PCP vai esperar para ver o decurso dos trabalhos e os objetivos exatos do PSD e do CDS, que foram os partidos que requereram a CPI. Respeitamos a CPI, participaremos em todos os trabalhos e a qualquer momento, num segundo prazo, poderemos chamar pessoas se entendermos que é preciso", explicou ao Expresso o deputado comunista Miguel Tiago.

Na base desta decisão está, segundo Miguel Tiago, a ideia de que, "não tendo o PCP concordado com a forma como o Governo geriu" este o processo de nomeação e destituição de António Domingues, o partido também não subscrever "as tentativas de criação de incidentes e instabilidade por parte do PSD e do CDS" em torno do banco público. "Esta CPI é mais um número nesses incidentes criados em torno de um processo que, por nós, já está relativamente esclarecido", conclui.

No mesmo sentido, o deputado do PS João Paulo Correia confirmou que os socialistas também não apresentaram hoje qualquer requerimento, por entenderem que "a CPI é um ato contínuo" e que esse pedido poderá ser feito mais à frente. "Vamos aguardar pelo início das audições e depois avaliaremos se consideramos necessário requerer mais alguma", resumiu.

(Notícia atualizada às 17h05 com informação sobre o PS e declaração de João Paulo Correia)