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Mauro Xavier, líder do PSD/Lisboa: “Não votarei em Passos”

Alberto Frias

Dirigente adia para depois das autárquicas a discussão da liderança no partido, mas deixa claro que, para ele, Passos ‘já era’

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Jornalista da secção Política

Quando soube, pelos jornais, que Pedro Passos Coelho já tinha candidato para a Câmara Municipal de Lisboa, Mauro Xavier, presidente da concelhia social-democrata, não escondeu o “profundo desagrado” por ter sido mantido à margem do processo. Deixou-o escrito e afixado em local visível (o Facebook), para memória futura. Uma semana depois, em conversa com o Expresso, assegura que os caminhos que levaram à escolha de Teresa Leal Coelho já são um capítulo encerrado e que vai trabalhar “empenhadamente” com ela, sem pensar noutro cenário que não a vitória: “É a candidata do PSD e agora devemos olhar em frente”.

Mas, “independentemente do que acontecer em Lisboa” (e garante que assumirá a sua quota-parte de responsabilidade pelos resultados, sejam eles bons ou maus), não tem dúvidas de que o futuro do PSD não passa por Passos, em cuja liderança não se revê: “Não me sinto confortável só com uma oposição de deixa-andar”. Faz questão de deixar claro: “É o momento para dizer que o rei vai nu, algo que se vai sentindo no partido mas que ainda não se tinha decidido dizer. Eu não tenho problema nenhum em dizê-lo”.

Alberto Frias

O balanço propriamente dito deixa-o para depois das autárquicas. Seja qual for o resultado, “faz sentido o PSD repensar o novo ciclo e decidir que tipo de liderança quer”. Explica: “É preciso recentrar o partido, voltar a discutir o peso do Estado na economia, menos impostos, progressão por mérito”. Admite que Passos “foi um excelente primeiro-ministro” mas que “é altura de fazer diferente”. E anuncia: “Eu não votarei em Passos Coelho”. Mas não diz em quem votará: “Não é o momento de discutir o partido internamente, há 308 eleições pela frente”. O congresso, a realizar-se no seu prazo ordinário, daqui a um ano, vem perfeitamente em tempo, assegura. Nem sequer há candidatos ainda: “Na hora da verdade é que se vê quem tem coragem de se chegar à frente”.

“Medina é só obras. E de fachada”

Volta a Lisboa. Reafirma que fará tudo o que estiver ao seu alcance para que Leal Coelho saia vencedora. Não acha impossível: “Medina é só obras, mas de fachada ou por más razões”. Mas não teria havido vantagem para o PSD em apoiar Assunção Cristas e reeditar, agora em Lisboa, a coligação com o CDS? O dirigente social-democrata sublinha que, “por princípio”, é desfavorável a alianças pré-eleitorais. E ficar atrás do CDS nem lhe passa pela cabeça. “Por mais que insistam, partimos de patamares diferentes. Jogamos para ganhar”.

Mauro Xavier é o primeiro dirigente do PSD a descolar publicamente da atual liderança, confirmada em congresso há um ano. Mas o descontentamento com o modo como Passos Coelho tem vindo a exercer a oposição não é exclusivo seu. Ainda esta semana, o antigo deputado e ex-presidente da Câmara de Coimbra, Carlos Encarnação, deu uma entrevista ao “i” onde criticou o processo autárquico em Lisboa e Porto (“as coisas correram muitíssimo mal”) e sugeriu que o líder social-democrata se afastasse para permitir que o PSD “se reorganize, se revitalize e se consiga afirmar”. Também no Conselho Nacional, na quinta-feira, o antigo responsável pelo PSD de Setúbal, Luís Rodrigues, também ele um crítico de longa data, não resistiu a aconselhar Passos a apostar a sério nas autárquicas: “Se for a dois concelhos por dia, faz o país todo [até às eleições]. O líder não gostou da sugestão.