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Álvaro Santos Almeida, candidato à Invicta: “Eu não tenho negócios imobiliários no Porto...”

Rui Duarte Silva

O independente que o PSD escolheu para tentar recuperar o Porto a Rui Moreira é um novato na vida política. Álvaro Santos Almeida, 52 anos, foi quadro do FMI, presidente da ARS-Norte até 2016, cargo que abandonou em divergência com o atual Governo. E passa ao ataque a Moreira sobre as suspeitas que estão a ser investigadas na Justiça

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Passos Coelho e Rui Rio vão estar presentes na apresentação da sua candidatura?
Tenho confirmação de muita gente. Logo se verá quem vai estar no dia.

O que lhe pediu o líder do PSD?
Para ganhar a Câmara e acredito que vou ganhar. O Porto já mostrou que não há donos de votos na cidade de cidadãos livres, que não estão presos a obediências.

Está a comparar com a eleição de Rio e Rui Moreira, quando se dava Luís Filipe Menezes como garantido?
São os dois últimos casos em que o eleito não foi o esperado. Não há razão para não considerar que teremos as mesmas oportunidades, depois de se conhecer o que defendo para o Porto.

O PSD falou no fim de semana da Selminho. Vai ser uma campanha de casos?
Não. Vai ser de proposta para a cidade, cujo rumo nos preocupa.

Então por que razão só agora o PSD vem pedir esclarecimentos sobre o acordo com a família Moreira?
Pergunte ao partido, que não sou militante. Mas não é a primeira vez que o assunto foi abordado. O vereador do PSD, Ricardo Almeida, pediu esclarecimentos em reunião do executivo, o órgão público onde o acordo devia ter sido claro e não foi. Denota falta de transparência, do ponto de vista jurídico e ético, pois podem estar em causa conflitos de interesse. É preciso deixar claro que não há neste caso benefício para alguém. Não basta ser sério, é preciso parecê-lo.

O que o leva a dizer que quem manda na Câmara são radicais de esquerda?
Ex-radicais de esquerda. Manuel Pizarro é ex-militante do PCP e o líder da concelhia do PS/Porto (Tiago Barbosa Ribeiro) era militante do Bloco de Esquerda. É público. O que digo é que o PS controla a Câmara.

Porquê?
Tem os pelouros mais relevantes, como os do urbanismo, habitação e ação social. Logo, se são os vereadores do PS que os controlam, quem é que manda na Câmara? O PS já afirmou que neste mandato cumpriu 87% do seu programa, enquanto Rui Moreira nem um quarto do dele cumpriu. Das 22 promessas eleitorais, cumpriu uma, a criação do Teatro Municipal do Porto. E temos o cidadão Rui Moreira, que ficou conhecido do grande público por ser um defensor da linha do metro do Campo Alegre até 2013, a aceitar a linha Casa da Música/São Bento em 2017. O Governo decide e ele aceita.

Disse que não estava satisfeito e que não desistia da outra...
Não está no plano que se estende para lá da próxima década. Aceitou porque está subjugado aos interesses do PS. Diga-me uma vez em que criticou este Governo?

Na questão da TAP...
Não foi a decisão do Governo, foi a política comercial da TAP. Fartou-se de criticar o anterior Governo mas não este.

Daí dizer que Rui Moreira é uma figura decorativa?
É decorativa no sentido em que quem toma as decisões relevantes para a cidade é o PS. Aparece nas selfies, nas fotografias, nas festas e eventos. Aí, não falha. Agora, quando é preciso tratar da vida dos cidadãos do Porto quem lá está é o PS.

Rui Duarte Silva

O que o fez candidatar-se?
Estou preocupado com a minha cidade, onde trabalho e nasceram os meus filhos, que gostaria que vivessem numa cidade mais amigável para os residentes.

A sua escolha não foi consensual...
Porque diz isso?

Luís Artur Pereira, líder da bancada do PSD na Assembleia Municipal, acha que mal anda o PSD por não escolher um militante. Santana Lopes e Miguel Albuquerque já vieram defender que o PSD devia ter apoiado Moreira, que Marques Mendes diz que já está eleito...
Por muito respeito que tenha por essas pessoas, nenhuma delas mora e sabe o que é viver no Porto. Vêm às festas, se é que vêm, do São João. O que me preocupa são as opiniões de quem vive no Porto.

Ser independente mas correr por um partido não é um ato de contradição? Não é um falso independente?
Não. A nossa democracia assenta em partidos políticos eu não poderia ter intervenção andando sozinho. Até sou um candidato independente mais transparente do que o atual presidente. Já li que o nº 2 de Moreira será Pizarro, líder distrital do PS. Onde está a independência?

A campanha não é financiada por um partido...
Isso é verdade. Mas eu sou professor, não tenho dinheiro, nem tenho negócios imobiliários no Porto para financiar a minha campanha. Daí concorrer com orgulho pelo PSD, o partido em que me revejo. A minha independência está na minha liberdade de tomar decisões em função do que defendo.

Nas últimas autárquicas votou em Menezes?
Votei no PSD.

O PSD sondou Rio, Paulo Rangel, Castro de Almeida. Não foi escolhido por falta de comparência de militantes que não arriscaram perder?
Não. Que eu saiba não houve uma proposta diferente aos órgãos nacionais do partido.

O facto de ser pouco mediático é o maior obstáculo?
Não me preocupa, resolve-se até outubro. O importante é os nossos projetos serem aqueles de que a cidade precisa e os cidadãos perceberem que somos a melhor alternativa.

Consigo, o que ganha o Porto?
Um autarca que tem por prioridade a qualidade de vida dos seus residentes, que piorou neste mandato no trânsito, na segurança e na criação de emprego. É a cidade do país com pior trânsito do país, pior do que Lisboa. Na segurança, os crimes contra o património aumentaram 9% de 2014 a 2015, face aos dois anos anteriores, quando na região norte caíram 11%. Preocupante ainda é o Porto estar economicamente concentrado no turismo, que não chega para dar à cidade dinamismo económico equivalente ao resto do país. Só falo com dados concretos: as empresas do Porto criaram 2000 empregos entre 2013 e 2015, que corresponde a um aumento de 1,7%, bem menos do que o aumento de 6% na região norte e no país. Estamos a regredir, com exceção do turismo.

Mas se é essa a onda em alta, não deve ser cavalgada?
Deve, porque se não fosse o turismo a cidade estaria ainda pior. Sou contra esta monocultura, é preciso crescer noutras áreas. É preciso retomar a tradição da cidade de prestação de serviços, de sedes de grandes empresas...

Debandaram para Lisboa...
As sedes vão para onde está o poder, mas o Porto não pode estar sempre subjugado ao poder central. E isso depende da atuação dos autarcas. Eu demiti-me da ARS-Norte em 2016, em protesto quando este Governo decidiu prejudicar a região.

Concorda com a municipalização da gestão da STCP?
Deve caber às autarquias gerirem, mas não neste modelo, que tem um administrador com direito de veto, nomeado pelo poder central. É um atestado de menoridade à região. Em Lisboa, a Carris não tem um administrador do Governo, por que há de o Porto ter? Não precisamos da ajuda do Governo para gerir bem. É um modelo que teria rejeitado.

É crítico dos atrasos na reabilitação do Bolhão, do Pavilhão Rosa Mota, Matadouro de Campanhã. Em quatro anos é possível fazer obra?
Tivemos muitos anúncios, agora obra não vi nenhuma. Como não há no Rosa Mota, nem no Matadouro de Campanhã. A tática de Rui Moreira é exatamente igual à do Governo central. Fartam-se de fazer. Obras zero. Foi ele que disse que se requalificava o Bolhão num ano. É para quatro anos que se é eleito, não para 12.