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Política

Causas sociais e ambientais querem aproveitar balanço da geringonça

Rogério Roque Amaro e Susana Fonseca, promotores do FASE

Em nome do ambiente, do desenvolvimento local e da economia social e solidária, entre outros designíos, dezenas de associações e centenas de pessoas vão lançar uma organização que pretende colocar aquelas causas no centro do “espaço político”. É o FASE (Fórum Ambiental, Social e Económico), que terá este domingo o seu momento fundador

O nome é facilmente memorizado: FASE. São as iniciais de Fórum Ambiental, Social e Económico, uma associação que este domingo dará em Lisboa o seu primeiro passo formal, com a realização da assembleia de subscritores.

Até ao final desta semana, o manifesto do FASE, "por um futuro solidário", já havia sido assinado por seis dezenas de entidades coletivas (dos domínios do desenvolvimento local, da economia social e solidária, dos modelos de governação e cogestão pública, do comércio justo, da gestão dos bens comuns e de outras experiências alternativas) e mais de três centenas e meia de pessoas individuais.

Entre os signatários estão, por exemplo, a Animar (Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Local), a Oikos, SOS Racismo, o GEOTA, a Zero, a Liga Operária Católica, entre muitas associações de moradores e de sectores profissionais, coletividades ou movimentos locais.

A título individual estão dirigentes associativos, docentes universitários e investigadores, sindicalistas e pessoas de várias profissões, provenientes de muitos pontos do país. A socióloga Ana Drago, o arqueólogo Cláudio Torres, os sindicalistas Carlos Trindade, Ulisses Garrido e Paulo Ralha, o vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Alentejo Jorge Pulido Valente, o encenador Hélder Costa, os professores Boaventura de Sousa Santos, Carlos Fortuna, Manuel Carvalho da Silva, Ricardo Paes Mamede e Rogério Roque Amaro, e as dirigentes associativas Maria do Carmo Bica (Animar) e Susana Fonseca (Zero) são alguns dos subscritores.

Inspirar a agenda política

As entidades e pessoas envolvidas na formação do FASE consideram que apesar de a "solução política que suporta a atual governação ter feito um corte positivo com a austeridade destrutiva", é preciso algo mais.

A estratégia do FASE passará por divulgar iniciativas que já são hoje uma realidade no país (grosso modo as que realizam uma "forma alternativa de economia", materializada por exemplo em cooperativas bem enraizadas em muitos tecidos locais ou na disseminação de programas de microcrédito) para que as mesmas se "tornem uma inspiração da agenda política".

"Temos uma oportunidade única em Portugal", que é dada pela atual geometria política do Parlamento, assume Rogério Roque Amaro, professor universitário e um dos organizadores do FASE. Partindo de uma realidade pré-existente, o Fórum pretender dar outra escala às medidas que já vão sendo um pouco implantadas pelo país fora, por uma diversidade de organizações e de associações. "Queremos criar sinergias entre as diferentes áreas", afirma por seu lado Susana Fonseca, outro dos elementos do núcleo promotor do FASE.

Quanto à relação com o poder político que pretendem ver abraçar as suas propostas, os primeiros rostos do FASE (cuja lista de subscritores se situa maioritariamente num vasto espectro político de esquerda) são cautelosos. "Queremos que seja um processo o mais alargado e diversificado possível", diz Roque Roque.

Os partidos ficam à porta do Fórum e em relação aos sindicatos houve a preocupação, em contactos mantidos com os líderes das duas centrais, de os informar das intenções. "São parceiros, mas não dominadores", diz meio a brincar Rogério Roque Amaro. Destaca, no entanto, que muitos sindicalistas assinam o manifesto, mas a título individual. No plano formal, os partidos e movimentos sindicais serão convidados a participar no FASE, "mas como observadores".

Depois da primeira reunião de subscritores, neste domingo, o novo fórum já tem marcado novo encontro. Será a 27 e 28 de maio, com a realização da Assembleia Magna, que será precedida de fóruns e encontros locais.