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Política

Passos recusa mudar de rumo

MANUEL DE ALMEIDA / LUSA

Esta noite, no discurso com que abriu a reunião do Conselho Nacional do partido, o líder do PSD recusou os conselhos para mudar de estratégia na oposição: “Prefiro receber a crítica de que mudámos pouco do Governo para a oposição por sermos coerentes do que me apontem o dedo por sermos uns troca-tintas”

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Editora de Política da SIC

Desengane-se quem pense o contrário: não é por estar a ser insistentemente criticado pela forma como lidera a oposição que Pedro Passos Coelho vai mudar de rumo. Esta noite, no discurso (aberto à comunicação social) com que abriu a reunião do Conselho Nacional do PSD - o orgão máximo entre congressos -, o líder social-democrata garantiu que se mantém fiel à estratégia definida há cerca de um ano, no congresso em que foi confirmado no cargo. “Estamos a fazer o nosso papel na oposição com muita convicção”.

“Não podemos, em função da oposição que queremos ser, mudar a nossa abordagem do país”, esclareceu. “Prefiro receber a crítica de que mudámos pouco do Governo para a oposição por sermos coerentes do que apontarem-nos o dedo por sermos uns troca-tintas”, reiterou. O facto de o PSD estar na oposição “não nos obriga a mudar de ideias, mas a fazer um trabalho diferente”, disse ainda.

Mostrando-se indiferente aos que discordam do seu rumo, através das “opiniões que publicam” (uma referência indireta a Marques Mendes, que não tem poupado nas críticas a Passos nos seus comentários semanais na SIC), socorreu-se da sua própria experiência, à medida que vai “correndo o país”: “Garanto-vos que o que encontro é uma posição de compreensão, de que esperam que nos mantenhamos coerentes e responsáveis”.

Sobre as autárquicas, Passos garantiu que mantém o objetivo de as ganhar - sem que tenha traduzido em números o significado desta vitória - e que está fazer escolhas nesse sentido. “Não há eleições ganhas à partida, mas isso é tão válido para o PSD como para qualquer outro partido”, afirmou, arrancando aplausos à sala. Quis deixar uma referência explícita quer à candidatura do independente Ângelo Almeida para o Porto - “uma boa candidatura” -quer à de Teresa Leal Coelho para Lisboa - “ tem todas as condições para poder ganhar”.

Aos que, de dentro e de fora do partido, preveem que o resultado nas autárquicas “vai ser mau”, respondeu: “Gostava de lhes dizer que estamos com os dois pés assentes na terra, temos escolhas muito boas e estamos convencidos que vamos ter um bom resultado eleitoral”.