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“Foram impostos sacríficios e ele esquece tudo dizendo que anda tudo com os copos”

A ex-ministra das Finanças, Manuela Ferreira Leite, disse esta noite no seu comentário semanal na TVI24 que se a Europa tivesse um grande líder europeu, o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem já teria sido demitido por causa das declarações que fez na terça-feira

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

A ex-ministra das Finanças, Manuela Ferreira Leite, considera que as declarações do presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, foram grosseiras e inadmissíveis, principalmente vindas de uma pessoa num cargo de elevada responsabilidade, e que, por isso, ele se devia demitir.

"É de uma grosseria brutal. Foram impostos sacríficios às pessoas e ele esquece tudo dizendo que anda tudo com os copos", disse no seu comentário habitual de quinta-feira à noite, na TVI24, acrescentando que Jeroen Dijsselbloem devia ter a "ombreidade de se demitir". Aliás, Ferreira Leite diz mesmo que, se neste momento, tivesse um cargo europeu e tivesse de partilhar a mesma sala com o presidente do Eurogrupo, que abandonaria a sala.

Recorde-se que Dijsselbloem disse, na terça-feira, que "na crise do euro, os países do norte da zona euro mostraram-se solidários para com os países em crise. Como social-democrata, considero a solidariedade da maior importância. Porém, quem a exige também tem obrigações. Eu não posso gastar o meu dinheiro todo em aguardente e mulheres e pedir-lhe de seguida a sua ajuda".

Para a ministra das Finanças do Governo de Durão Barroso, não só Dijsselbloem perdeu o respeito que tinha na Europa como o tipo de linguagem que usou "é um sinal da decadência da sua incapcidade de discutir de ideias" e que a mostra "aarogância e falta de respeito", o que é "muito preocupante e grave", principalmente se outros políticos recorrerem ao mesmo tipo de linguagem.

Ferreira Leite diz mesmo que se a Europa tivesse um grande líder europeu, Dijsselbloem já teria sido demitido. "Não espero um grande projeto europeu como os dos grandes estadistas dos últimos anos. Neste momento não existe nenhum grande líder europeu, porque senão, pessoa como esta não teriam lugar nestes cargos".

A ex-ministra das Finanças e ex-líder do PSD comentou ainda que acha "espantoso" que haja pessoas em Portugal que concordem com Dijsselbloem. "É impossível esquecer os sacrícios que todos fizémos, disse, acrescentando ainda que, "nesta frase, ele traduziu o pensamento que existe neste momento na Europa", ou seja, de que os países do sul da Europa são gatadores e que os do norte são o exemplo a seguir.

Ferreira Leite comnentou ainda os juros altos do empréstimo da CGD, considerando que "não esperava que fossem mais baixos". "Não me admiram os juros altos porque este é um empréstimo perpétuao", disse, lembrabdo que os investidores não vão receber o dinheiro logo têm de pedir juros altos. "Não se podem comparar estas obrigações com obrigações reembolsáveis", acrescentou ainda. Para a comentadora da TVI, "o que é de espantar é que o empréstimo tenha tido uma procura tão elevada".