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Vara garante que nunca falou com Sócrates sobre convite para a CGD

Luís Barra

Ex-administrador comenta escuta que foi noticiada pelo semanário Sol mas diz que não se revê no resumo da conversa sobre um investimento no aeródromo do Algarve

Helena Pereira

Helena Pereira

Editora de Política

O antigo administrador da Caixa Geral de Depósitos (CGD), Armando Vara, afirmou que a conversa que teve com o então secretário de Estado do Desporto, Laurentino Dias, que consta numa escuta extraída do processo Face Oculta foi "um caso único" e lembra que já não era administrador do banco público na altura.

"Enquanto fui administrador da CGD nunca tive nenhuma conversa com ninguém do Governo sobre orientações de qualquer género", afirmou, em audição na comissão parlamentar de inquérito à CGD. O socialista, dizendo não se rever no resumo da conversa que veio na comunicação social, acrescentou que sugerira a Laurentino Dias declarar o projeto do aerodromo do Algarve um projeto de interesse nacional e assim o Governo lá colocar dinheiro através do Orçamento do Estado e não da CGD.

Armando Vara assegurou ainda que foi Teixeira dos Santos quem o convidou para a gestão do banco público e que não debateu o assunto com o então primeiro-ministro, José Sócrates.

"Quem me convidou foi na altura o senhor ministro das Finanças [Teixeira dos Santos] muito pouco tempo antes da posse [agosto de 2005]. Disse-me que gostava que integrasse as mudanças que ele queria implementar na CGD", afirmou Vara durante a sua audição na comissão parlamentar de inquérito à recapitalização e gestão do banco estatal.

"Teixeira dos Santos, com quem tinha uma boa relação e tinha sido colega de Governo, disse-me que a equipa ia ser liderada por Santos Ferreira", acrescentou.

Questionado sobre quando falou com Sócrates sobre o convite que lhe foi endereçado, Vara disse que nunca o fez. "Nunca falei com ele sobre esta matéria", sublinhou.