Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

Governo quer obrigar Carlos Costa a pagar mais à GNR que guarda reservas de ouro do país

Carlos Costa pode ser obrigado a rever protocolo de 1995 e abrir os cordões à bolsa

Luis Barra

Há 21 anos, o Banco de Portugal fez um protocolo com a GNR para patrulha e segurança do “Fort Knox” português, no Carregado. Governo quer que guardas sejam aumentados

Helena Pereira

Helena Pereira

Editora de Política

O Governo quer que o Banco de Portugal, gerido por Carlos Costa, aumente os guardas da GNR que desde 1995 fazem a segurança do complexo do Carregado, que alberga as reservas de ouro do país.

Em resposta a um requerimento do PCP, a ministra da Administração Interna (MAI), Constança Urbano de Sousa, garante que vai pedir ao comando-geral da GNR que "reavalie o protocolo" com o Banco de Portugal, que data dos anos 90 do século passado, "designadamente no que concerne aos montantes que estão a ser pagos pela prestação de serviço ao Banco de Portugal".

O efetivo da GNR presta serviço no complexo do Carregado em regime permanente, recebendo cada guarda por cada semana de trabalho (sete dias consecutivos) um acréscimo de 250 euros, que se mantém inalterado desde os anos 90 e que é um valor muito inferior ao que é pago aos agentes da PSP que desempenham funções junto do BdP. "É um tratamento diferenciado, discriminatório e inaceitável", queixou-se o deputado Jorge Machado.

Os agentes da PSP são pagos ao abrigo de outro regime, a portaria 298/2016, que fixa o pagamento por períodos de 4 horas noturnas e diurnas, acrescido de um valor especial para cada hora extra. Se esta tabela fosse aplicada aos guardas da GNR no Carregado, estes poderiam receber, em alguns casos, mais do dobro do que auferem atualmente. Segundo o MAI, contudo, a tabela não pode ser aplicada à GNR, por este tipo de policiamento ao complexo do Banco de Portugal ter um caráter duradouro e permanente (24h sob 24h).

Em 2012, o Banco de Portugal tinha 15 mil milhões de euros em barras de ouro. Eram 382,5 toneladas, o que tornava Portugal o 14.º país do mundo com mais reservas de ouro. Em 1974, contudo, o BdP chegou a ter 865 toneladas nas suas reservas.