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Costa arrasa presidente do Eurogrupo: “A Europa não se faz com Dijsselbloem. O senhor deve desaparecer”

FPF

Primeiro-ministro reitera posição manifestada pelo Governo face às declarações de Jeroen Dijsselbloem. Costa diz que o presidente do Eurogrupo ofendeu Portugal, deve um pedido de desculpas e tem que ser afastado

António Costa afirma que os comentários do presidente do Eurogrupo relativos aos países do sul são “absolutamente inaceitáveis” e exige o afastamento de Jeroen Dijsselbloem.

Para o primeiro-ministro, as declarações do dirigente holandês – que disse que os países do sul não podem “gastar o dinheiro todo em álcool e em mulheres” – são “sexistas, xenófobas e racistas” e vão contra os valores de unidade na Europa. “O senhor ofendeu-nos. A Europa não se faz com Dijsselbloem. (...) O senhor Dijsselbloem deve desaparecer”, declarou Costa esta manhã, à margem do evento Football Talks, no Estoril.

Costa foi perentório, afirmando que a Europa “só será credível” enquanto projeto comum depois de Djisselbloem deixar o Eurogrupo e apresentar um “pedido de desculpas claro”. “São declarações também muito perigosas, porque demonstram bem qual é o perigo do populismo e que o populismo não está só naqueles que tem coragem de assumir que o são. Está também naqueles que aparecem com pele de cordeiro, porque fazem discursos que são racistas, xenófobos e sexistas, como o discurso do senhor Dijsselbloem”, insistiu.

Segundo o chefe do Governo, é inaceitável que uma pessoa que teve o comportamento que teve possa exercer funções na presidência de um organismo como o Eurogrupo, depois de criticar países que fizeram um “esforço extraordinário” para corrigir os desequilíbrios nas finanças públicas. “Portugal não tem lições nenhumas a receber do senhor Dijsselbloem”, afirmou Costa, frisando que Portugal cumpriu todos os compromissos com a União Europeia e alcançou no ano passado o défice mais baixo nos anos de democracia

E defendeu que as prioridades da UE passam por responder às ameaças, estabilizar o euro, concluir a união económica e monetária e realizar esforços em torno desta matéria. “Esta vontade não pode ser um gesto de hipocrisia mas de conciliação. Temos que traduzir isso em atos que não podem ser desmentidos por responsáveis europeus”, sustentou.

Marcelo ao lado do Governo

Confrontado pelos jornalistas na Bélgica, à margem da cerimónia do 1.º aniversário do atentado no aeroporto de Bruxelas, o Presidente da República tentou desvalorizar a situação mas alinhou-se à posição manifestada pelo Governo.

“Há valores que são mais importantes do que isso. Já foi tudo dito pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, que falou em nome do Estado. Portugal tomou posição, está tomada”, rematou.