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Marcelo desautoriza “indignação” de Belém com o BCE

Presidente da República sublinha, em declarações ao Expresso, ser “o único porta-voz de Belém” e contraria declarações de “indignação” face à ameaça do Banco Central Europeu de novas sanções a Portugal. Horas antes de chegar a Bruxelas, Marcelo prefere “não dar grande importância” a um “relatório técnico”

Marcelo Rebelo de Sousa acha um erro estar a valorizar "relatórios técnicos" do BCE com ameaças a Portugal e, em declarações ao Expresso, desmente a informação prestada por fonte da sua Casa Civil, segundo a qual Belém teria recebido com "indignação" a hipótese de novas sanções a Portugal, desta vez por excessivos desiquilíbrios macroeconómicos.

"O Presidente da República é o único porta-voz de Belém e esclarece que não se pronunciou sobre qualquer pretensa ameaça do BCE de multas a Portugal", afirma Marcelo Rebelo de Sousa. "Não tem, por isso, o mínimo fundamento a notícia relativa a reações de Belém quanto à pretensa intenção do Banco Central Europeu", acrescentou.

Horas antes, fonte da Casa Civil da Presidência tinha feito chegar ao Expresso o sentimento de "indignação" de Belém face ao relatório na segunda-feira divulgado pelo Jornal de Negócios, segundo o qual o BCE considera que Portugal não tem adotado, nos últimos três anos, as medidas necessárias para corrigir os desequilíbrios macroeconómicos excessivos e que, por isso, deveria ter uma multa de cerca de 190 milhões de euros (0,1% do PIB ao ano).

"É inacreditável e inaceitável", afirmou o mesmo responsável da Presidência, que questionou "o que é que Vítor Constâncio (vice-presidente do BCE) está lá a fazer". O mau estar instalado na Casa Civil da Presidência prendia-se com o facto de, quando Portugal está à beira de saír dos procedimentos por défice excessivo, vir agora o BCE abrir uma nova frente de guerra por causa dos desiqilíbrios macro-económicos.

Marcelo Rebelo de Sousa vai estar esta quarta-feira em Bruxelas em contactos com as mais altas instâncias europeias mas, na mesma declaração ao Expresso em que se demarcou das informações veiculadas por Belém, sublinhou que esta visita "está marcada há semanas", ou seja, o PR isola-a de quaisquer queixas relacionadas com o país.

Pelo contrário, o Presidente acha um erro valorizar "um relatório técnico", ao qual prefere "não dar grande importância". Sobretudo, achará um erro estar a contestar o Banco Central Europeu. Por muito que isso pudesse agradar ao Governo, o PR prefere manter o registo de descrispação que tem usado em toda a sua magistratura, seja na frente interna, seja externamente.