Siga-nos

Perfil

Expresso

Política

‘Passistas’ tentam boicotar Rio

Rio numa das várias conferências pelo país em que tem marcado presença

Rui Duarte Silva

Jantar organizado pela JSD/Almada há três semanas teve ausências de última hora

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Jornalista da secção Política

Ausência dos principais dirigentes, inscrições canceladas à última hora, “conselhos” para manter distâncias. Houve um pouco de tudo num dos últimos jantares-conferências organizados por estruturas do PSD, neste caso a JSD de Almada, com a presença de Rui Rio. Há quem fale em tentativa de boicotar a iniciativa numa altura em que o ex-autarca do Porto surge como um dos mais prováveis candidatos à liderança do PSD em confronto com Pedro Passos Coelho. Mas David Cristóvão, líder da JSD de Almada, recusa essa explicação.

“Quando o PSD-Almada organizou o seu jantar de natal com o dr. Marques Mendes, que tem sido bastante crítico da atual liderança do partido, a JSD até ajudou na mobilização. Não acredito que alguém queira agora limitar o debate interno se o próprio líder do partido, quando julgou necessário, promoveu uma plataforma de reflexão que se veio a posicionar como alternativa à liderança da dra. Ferreira Leite”, explicou ao Expresso. “Não era isso que estava em causa porque não jogámos no calculismo político e, se há desconforto, ele é infundado. Penso que todo os militantes e dirigentes estão interessados em formar os melhores quadros e foi isso o que procurámos fazer. Não quisemos declarar apoio ao dr. Rui Rio, nem seria a altura de o fazer”, afirmou.

Elogio a Rio

O jantar teve lugar dia 24 de fevereiro e o tema foi “O poder local, gestão e política”. David Cristóvão explica que havia a intenção de convidar Rio para uma formação em Almada desde o início do seu mandato em dezembro de 2015, “muito antes de se especular sobre eleições internas, que não estão marcadas”. Foram enviados convites para as estruturas habitualmente convidadas para estas coisas. Os presidentes das comissões políticas da concelhia do PSD-Almada e da distrital do PSD-Setúbal não compareceram (quando, ao que o Expresso apurou, seria natural que o fizessem). O presidente da JSD-Lisboa, por exemplo, cancelou a inscrição no próprio dia. Contactado pelo Expresso, o líder desta estrutura, Alexandre Poço, não quis comentar as razões que motivaram o cancelamento abrupto.

No discurso que fez, perante Rui Rio e cerca de 100 pessoas (das 120 que tinham confirmado a inscrição), David Cristóvão haveria de dar o recado face às ausências que estranhou: “Valorizamos muito que os que cá estão tenham querido dar-nos o gosto da vossa presença”. E elogiou o antigo presidente da Câmara do Porto: “A consideração que temos por si aqui em Almada, na JSD, é crescente e contínua”.

Rui Rio foi presidente da Câmara do Porto durante 12 anos e desde que abandonou funções autárquicas tem trabalhado como consultor na empresa Boyden no Porto. Não escondendo a sua visão muito crítica da liderança do PSD, assumiu no final do ano passado que pode candidatar-se à liderança do partido no congresso que terá lugar a seguir às autárquicas. Perante a notícia, avançada pelo Expresso, de que apoiantes seus já teriam reunido assinaturas para convocar um congresso extraordinário, pôs água na fervura: “Não tenho conhecimento de nenhum processo de recolha de assinaturas”, assegura ao Expresso na edição seguinte. Acrescentou não ver vantagem em acelerar o calendário social-democrata (que só prevê nova reunião-magna na primavera de 2018), admitindo: “Um congresso antecipado só faz sentido se o líder decidir sair, caso contrário o normal é cumprirem-se os prazos”, disse.

Há dias, o líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro (cujo nome também consta da lista dos putativos candidatos a líder do PSD no pós-Passos), voltou a desafiá-lo a avançar. “Se houver alguém que tenha verdadeiramente vontade de protagonizar um projeto em nome do PSD e entenda que é melhor, mais profundo, diferente e positivo para o país, que avance e não hesite”. Não obteve resposta do visado.

Na sexta-feira, numa conferência na Porto Business School, Rui Rio explicou porque não se candidatou em 2009 contra Manuela Ferreira Leite, altura em que tinha acabado de ser eleito. “Eu tinha dito que tinha os dois pés no Porto, e não um no Porto e outro em Lisboa. Não aceitei [candidatar-me à liderança do PSD] por coerência e por lealdade a quem me confiou o seu voto”, argumentou o ex-autarca, embora reconhecendo que “dá jeito às vezes não cumprir esta regra de coerência” e que “em situações-limite” até pode ser desculpável quebrá-la. Na quarta-feira, Rui Rio esteve em Faro noutra conferência sobre “Economia e Desenvolvimento Regional”. Na semana passada, em Coimbra, falou sobre “As Razões Internas da Crise”, numa palestra organizada pela Coimbra Business School.