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Ferreira Leite: “O discurso da saída da Europa chegou e veio para ficar”

TIAGO PETINGA/ Lusa

No habitual espaço de comentário, Manuela Ferreira Leite não considerou os resultados holandeses como “inesperados” e acredita que as coligações para formar Governo “são uma tendência que deverá continuar na Europa”. Considerou Geert Wilders, líder do partido de extrema-direita, como um “produto mais mediático do que político”. “Ele não é nada, ele é só ele”

Manuela Ferreira Leite considerou que o discurso sobre a saída da União Europa “veio para ficar”. No habitual espaço de comentário da TVI 24, esta quinta-feira à noite, a ex-ministra referiu que apesar da extrema-direita não ter vencido as eleições na Holanda, a Europa “fica muito mal” na figura.

“O discurso da saída da Europa chegou e veio para ficar. Isso mostra quanto o projeto europeu está fragilizado e nãos e vê qualquer espécie de mobilização parar que se solidifique”, comentou. “A Europa continua a estar muito focada nos detalhes e nãos e concentra nas grandes orientações. É pena que aquilo que mobiliza os cidadãos a votar ou não votar é o discurso de saída da Europa… Quando chegamos a isto algo está verdadeiramente errado”, acrescentou.

Na quarta-feira, a Holanda foi a votos sob a ameaça de poder eleger pela primeira vez um primeiro-ministro de extrema-direita. A vitória acabou por ser arrecada por Mark Rutte, que renovou o mandato como chefe de Governo. Para a comentadora, o resultado do sufrágio “não foi assim tão inesperado”.

“Acho que é uma certa consequência da crise financeira e de tudo o que implicou: dos sacrifícios, da descredibilização da classe politica e de certas instituições. Há um certo desmoronar de algo que estávamos habituados”, disse Ferreira Leite. “Na Holanda, esta super geringonça pode demorar uns meses até estar construída. As coligações são uma tendência que deverá continuar na Europa”, acrescentou.

Para Ferreira Leite, Geert Wilders, candidato da extrema-direita holandesa que ficou em segundo nas eleições (PVV conseguiu 20 lugares no Parlamento), é “mais um produto mediático do que político”. “Ele não é nada. É só ele. Não tem propriamente partido, anda sozinho, só com os seguranças. É do estilo: não me importo que falem mal de mim, mas falem. E ele conseguiu isso”, referiu.

A nível nacional, Manuela Ferreira Leite mostrou-se satisfeita com a não alteração dos currículos e a manutenção do peso das disciplinas de português e matemática. No entanto, deixou críticas a Tiago Brandão Rodrigues, ministro da Educação, acusando-o de falta de “convicção”.

“Do meu ponto de vista, é uma boa notícia. Aquilo que acho uma péssima notícia é apercebermo-nos que se tomam uma decisão, que é uma opção estratégica, que se está um tempo a formatar a opinião pública, que houve um processo que levou a inúmeras reuniões com professores e alunos e que, de um momento para o outro, já é ao contrário”, justificou.

Na opinião da antiga ministra da Educação, a reversão da proposta de reduzir a carga horária a matemática e português foram influência da “opinião pública e do Presidente da República”.

“Acho que isto é o contrário de educar. É deseducar. É um processo deseducativo que me parece lastimável. As constantes alterações na educam e são lastimáveis”, defendeu. “É uma boa notícia, porque português e matemática continuam a ter o mesmo peso no currículo. É má porque parece que andamos ao deus dará”, insisitiu.