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PCP e BE: fecho de balcões não pode ser “contrapartida” de plano de recapitalização

Os partidos já questionaram o Governo sobre o encerramento de balcões da CGD em várias freguesias do país, embora ainda não haja uma lista definitiva das agências que vão fechar

Luis Barra

Partidos de esquerda fazem avisos. Sindicato dos trabalhadores da CGD desconhece lista de balcões que vão encerrar e sublinha que o principal critério para os escolher vai ser “o peso do negócio” de cada agência e não a necessidade que representem para as populações. No despedimento de 2500 trabalhadores vê “um impacto dramático”

PCP e Bloco de Esquerda reafirmam as suas posições: não concordam com o encerramento de balcões ou despedimento de trabalhadores na Caixa Geral de Depósitos (CGD) e já questionaram o Governo. Contudo, não dizem se vão ou não dar mais algum passo.

“O Bloco vê com preocupação as notícias que dão conta da intenção de encerrar alguns balcões, questionou já o Governo sobre esta matéria e não deixará de reafirmar o que sempre disse: o despedimento de funcionários ou o encerramento de balcões não podem servir de contrapartida à necessária recapitalização pública da CGD”, diz fonte oficial do BE ao Expresso.

“A CGD é um banco estável, deve ter um perfil de apoio à economia e ser promotora de coesão territorial. Isto exige que o processo de capitalização seja bem sucedido e que o Estado assegure os recursos necessários ao funcionamento do banco público”, acrescentam, sem confirmar se houve ou não violação de um compromisso assumido pelo Governo.

A posição dos bloquistas contra os despedimentos já vem de longe: em junho do ano passado, quando ainda se discutia o aumento dos salários da administração da CGD, Catarina Martins, líder do Bloco, defendeu no Parlamento que “despedir trabalhadores não é forma de reestruturar a Caixa”, mas sim de a “enfraquecer”.

Também sem adiantar se vão ou não dar outro passo para além de terem já questionado o Governo, os comunistas reforçam essa posição. “O PCP sempre denunciou e combateu a política de encerramento de balcões, redução do número de trabalhadores e subversão do papel da CGD enquanto banco público ao serviço do desenvolvimento do país, incluindo no atual processo de recapitalização da Caixa.” Em nota escrita de resposta ao Expresso, os comunistas lembram que sempre deixaram “bem claro que aquilo que Portugal precisa é do reforço do papel desta instituição no sistema financeiro nacional, particularmente na sua modernização, proximidade junto das populações e apoio à atividade das Micro, Pequenas e Médias Empresas.”

José Carlos Carvalho

Jerónimo de Sousa, líder do PCP, já tinha dito anteriormente que a CGD devia manter uma rede de balcões que “sirva o país e com critérios de apoio à economia”. “Não é pela via da redução da atividade à custa dos trabalhadores e da dimensão da sua rede. Se a CGD sair dos concelhos, outros ocupam e esses são a banca privada”.

O anúncio do encerramento de balcões e despedimento de trabalhadores foi feito por Paulo Macedo, na semana passada, na apresentação do Plano Estratégico até 2020. “Ninguém peça à Caixa Geral de Depósitos para ficar em todos os sítios onde os outros bancos não querem ficar. Se isso acontecesse, então a Caixa não saía dos seis anos de prejuízos que teve.”

Desde 20 de fevereiro, já deram entrada na Assembleia da República 11 requerimentos, feitos pelo PS, PSD, BE e PCP, com perguntas ao ministério das Finanças sobre as razões que justificam o encerramento de balcões em algumas freguesias. Covilhã, Setúbal, Albergaria-a-Velha, Oliveira de Azeméis, Marvão, Golegã e Caminha são até agora os concelhos onde já surgiram informações de um eventual encerramento de balcões ou, em alguns casos, de redução de horário do seu funcionamento.

Critério para encerrar? O negócio

Horácio Oliveira, dirigente do sindicato dos trabalhadores da Caixa Geral de Depósitos, explica que ainda não têm conhecimento de nenhuma lista de balcões que vão encerrar. O que estará a acontecer agora, acredita, são contactos da administração com as direções regionais da Caixa para perceber quais os balcões que deverão ser encerrados. “Muitos destes balcões até poderão vir a ser fechados, mas ainda não é garantido que sejam estes.” E qual o critério habitualmente usado para escolher os balcões a encerrar? “O nível de negócio, de grosso modo, é o principal.”

Uma das reivindicações que os partidos têm feito nas perguntas direcionadas ao Ministério das Finanças é o impacto nas populações. O PCP, por exemplo, questiona o Governo sobre o encerramento do balcão no Faralhão, uma freguesia de Setúbal. “O encerramento deste balcão penaliza a população das freguesias do Sado e da Gâmbia-Pontes-Alto da Guerra e muitas micro e pequenas empresas, em particular a população idosa que, com baixos rendimentos e sem meios próprios de deslocação, terá de ir até à cidade de Setúbal, o que acarreta custos acrescidos para ir levantar a reforma.”

Olhar para as características da população não estará entre as prioridades na escolha das agências a fechar, diz o dirigente do sindicato. “A instituição não vai ter em conta se as freguesias têm mais ou menos idosos.”

“Vamos sangrar para poder singrar”

Resta saber o que vai acontecer aos trabalhadores destes balcões e o sindicato admite que alguns possam ser transferidos para outras agências, mas não só. “Vamos verificar, de certeza absoluta, que ao fecho de balcões se vai associar a rescisão de contratos de trabalho, que achamos que acontecerá por mútuo acordo.” E há dois tipos de impacto deste “redimensionamento”: um na Caixa, outro nos trabalhadores. Horário Oliveira acredita que a CGD “não deixará de ser o principal banco português”. “Estas alterações, que eram necessárias, podem levar a que haja algum progresso. Vamos sangrar para poder singrar.”

Mas o panorama é outro quando se vê na perspetiva dos funcionários. “Não são só 2500 trabalhadores, falamos de 2500 famílias. Em termos sociais, é um impacto dramático.” O membro do sindicato admite que, desde o início do processo de discussão da recapitalização da Caixa, se falava no encerramento de balcões e no despedimento de “até 2500 trabalhadores. “Os sindicatos estão, desde o início, na expetativa de que, na verdade, isto ia acontecer.”