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Novo vídeo sobre negro morto pela polícia em Ferguson reacende protestos

Michael B. Thomas/GETTY

O caso de Michael Brown, afro-americano morto pela polícia em 2014, voltou a gerar confrontos, após ter sido divulgada uma nova montagem de imagens captadas por câmaras de segurança que procura contestar a tese de que o jovem efetuara um roubo numa loja de conveniência antes de ter sido abatido

O novo vídeo que procura desmontar a versão de que o afro-americano, Michael Brown, roubara um maço de cigarros numa loja de conveniência momentos antes de ter sido morto pela polícia em Ferguson, Missouri, em 2014, foi esta segunda-feira desvalorizado pelo procurador Robert McCulloch que o qualificou como “uma estupidez”, após a sua divulgação ter gerado novos protestos e distúrbios durante o fim de semana.

Durante a sua visita à loja, Michael Brown terá pegado numa série de artigos que levou até ao balcão e terá acabado por deixá-los lá. A questão é se terá levado consigo o maço de cigarros e se algo mais se passou.

A nova montagem de imagens captadas pelas câmaras de segurança, exibida no fim de semana com o documentário “Stranger Fruit”, pretende mostrar que afinal ter-se-á tratado de um negócio de droga que correu mal e que Brown terá tentado vender marijuana aos funcionários da loja.

Jornalistas da CNN visionaram as imagens e referem que mostram que entre os artigos que o jovem terá colocado no balcão encontrava-se algo que foi cheirado pelos funcionários da loja, antes de terem começado a discutir, mas acrescentam que não é inteiramente claro o que aconteceu a seguir, nem o que aconteceu a esse artigo.

A exibição do documentário levou uma centena de pessoas a manifestarem-se domingo à noite junto à loja de conveniência obrigando ao seu encerramento. Após a meia-noite foram disparados tiros e um homem de St. Louis foi acusado de tentar pegar fogo a um carro da polícia. Incidentes que fazem temer o reacender da vaga de confrontos que o caso originou em 2014.

Jason Pollock, o realizador do documentário, acusou os investigadores de terem deixado de fora o vídeo, “optando por não mostrarem o que realmente aconteceu” e “destruindo a reputação de Michael” Brown, afirmou em declarações ao “The New York Times”.

O procurador McCulloch diz que a versão que o documentário pretende apresentar não faz sentido, considerando que, “para começar, o vídeo tem uma edição muito pobre” e deixa de fora as imagens do funcionário a falar com Brown, antes de este voltar a retirar algo e a sair do estabelecimento.

“Não houve qualquer transação entre o sr. Brown e os funcionários da loja”, acrescenta, explicando que o vídeo não foi presente em tribunal por “não ser material relevante”.