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Política

CGD. Partidos questionam Governo sobre encerramento de balcões

Luís Barra

Na semana passada, a equipa liderada por Paulo Macedo anunciou o encerramento de cerca de metade das agências da Caixa até 2020. Os partidos, do BE ao PSD, perguntam ao Governo se foram acautelados os impactos do fecho desses balcões nas populações de algumas zonas do interior, que já foram penalizadas com o encerramento de outros serviços públicos

O anúncio do encerramento de balcões da Caixa Geral de Depósitos (CGD) já gerou várias perguntas dos partidos ao Governo, questionando as razões do encerramento de agências por todo o país e perguntando se foram acautelados os impactos dessas decisões nas populações e os direitos dos trabalhadores.

A equipa da CGD liderada por Paulo Macedo anunciou, na semana passada, que querem reduzir para cerca de metade o número de agências - chegando a um total entre 470 e 490 - longe das actuais 1211. A informação foi avançada na apresentação do Plano Estratégico até 2020, que serve de base ao plano de recapitalização da Caixa, de 3,9 mil milhões de euros, aprovado por Bruxelas.

PS, PSD, PCP e BE deram já entrada de perguntas direcionadas ao Ministério das Finanças, como o jornal “i” também refere esta terça-feira em manchete. Um dos exemplos é o do balcão da CGD em Teixoso, uma freguesia no concelho da Covilhã, que motivou três requerimentos - do PS, PSD e PCP.

O anúncio do encerramento do balcão em Teixoso levou à organização de um protesto da população e para os autarcas, que endereçaram uma carta ao novo presidente da CGD, "o hipotético encerramento do serviço bancário constitui, de forma categórica e muito real, um grave retrocesso no processo de descentralização e proximidade dos serviços do Estado português às suas populações", segundo é citado na pergunta feita pelo PSD.

O PCP questionou também o Governo sobre o encerramento do balcão no Faralhão, uma freguesia do concelho de Setúbal. Aberta desde 1999 esta agência é a única de três freguesias, num total de 12 mil habitantes. "Estima-se que, entre pessoas individuais e coletivas, esta agência tenha cerca de quatro mil clientes", escreve o PCP na pergunta direcionada ao ministério de Mário Centeno.

“Esta decisão foi tomada sem qualquer fundamentação racional, tendo em conta a intensa atividade da agência da Caixa Geral de Depósitos do Faralhão”, escreveu o PCP. “O encerramento deste balcão penaliza a população das freguesias do Sado e da Gâmbia-Pontes-Alto da Guerra e muitas micro e pequenas empresas, em particular a população idosa que, com baixos rendimentos e sem meios próprios de deslocação, terá de ir até à cidade de Setúbal, o que acarreta custos acrescidos para ir levantar a reforma.”

Encerrar serviços públicos no interior

Contam-se onze perguntas feitas ao Governo, que podem ser consultadas no site da Assembleia da República. Nenhuma das perguntas foi ainda respondida pelo Governo e entre os vários pedidos são questionados os encerramentos de balcões em freguesias nos concelhos de Albergaria-a-Velha, Oliveira de Azeméis, Marvão, Golegã e Caminha.

O Bloco de Esquerda, por exemplo, questiona o ministério das Finanças sobre o fecho do balcão na Golegã. "Os propósitos governamentais de apostar no desenvolvimento de concelhos menos populosos em que, além do mais, até existe um elevado potencial agrícola, precisam de suporte de um banco público", argumenta o BE, no documento.

"A redução de serviços da CGD, a par da fuga de outros serviços públicos, contribuirá para dificultar a atividade eocnómica e, por consequência, para agravar desigualdades territoriais, nos mais diversos domínios", acrescentam.

Na semana passada, a CGD comunicou ter tido um prejuízo histórico de 1.859 milhões de euros em 2016, mais de dez vezes superior aos resultados negativos de 171,5 milhões registados em 2015. O banco público anunciou ainda que vai cortar 2200 postos de trabalho, através de pré-reformas e rescisões amigáveis, no âmbito do acordado com Bruxelas.

De acordo com os dados apresentados, citados pela Lusa, no final de 2016 o banco tinha 8133 trabalhadores em Portugal, menos 297 do que no final do ano anterior, quando eram 8410.

[notícia atualizada às 10h23]