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Bruxelas convida Rocha Andrade a contar o que sabe sobre transferências para o Panamá

Rocha Andrade, atual secretário de Estado dos Assuntos Fiscais

Luís Barra

Requerimento do eurodeputado do CDS Nuno Melo para a audição do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais foi aprovado esta terça-feira na reunião de coordenadores da comissão de inquérito do Parlamento Europeu aos Panamá Papers

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Jornalista da secção Política

A comissão de inquérito do Parlamento Europeu aos Panama Papers acolheu a sugestão do eurodeputado do CDS Nuno Melo e vai convidar o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Fernando Rocha Andrade, a ir a Bruxelas contar tudo o que sabe sobre as transferências de dinheiro de Portugal para o Panamá em 2014.

Nuno Melo tinha entregue um requerimento nesse sentido a 2 de março, na sequência das declarações prestadas na véspera pelo governante na Assembleia da República. O eurodeputado do CDS e membro da comissão de inquérito aos Panama Papers no Parlamento Europeu sugeria que o secretário de Estado português dos Assuntos Fiscais prestasse esclarecimentos àquela comissão sobre as transferências financeiras para o Panamá durante o ano de 2014, em particular sobre os 97,7% que revelara estarem “no oculto”.

Na audição, agora aprovada, pretende-se que Rocha Andrade informe o Parlamento Europeu sobre quais as entidades, as datas concretas, os beneficiários e as operações relativas às transferências para o Panamá. Quer-se ainda saber se tais operações foram legais ou ilegais e, por fim, “a razão pela qual informações bancárias enviadas para a Autoridade Tributária portuguesa não passaram para o respetivo sistema central”.

O secretário de Estado não é obrigado a comparecer no Parlamento Europeu. Em entrevista ao Expresso, publicada na última edição, Nuno Melo antecipava que só quando o seu requerimento fosse deferido (o que acabou de acontecer) se veria “quem tem alguma coisa a esconder”.

Se Rocha Andrade não prestar estas informações, adiantava o eurodeputado, “é porque a vontade de esconder seja o que for está no PS”. “Eu não tenho problema nenhum em saber quem andou a transferir dinheiro para o Panamá, quem beneficiou desse dinheiro. Acho importante e quase catársico”, concluía.