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Marcelo diz que está a viver o seu mandato como o Papa: “sob o signo da urgência”

José Coelho / Lusa

Em entrevista à Renascença, o Presidente diz ainda que, em relação à questão da eutanásia, a sua opinião “não é apenas a opinião do católico, é a opinião de alguém que olha para aquilo que especialistas com diferentes formações dizem”

O Presidente da República considera que Portugal se encontra numa situação de “ressaca da crise” dentro da qual ainda “há muita gente a sofrer” e que “tem de ser acompanhada”, o que o leva a estar a viver o seu mandato “sob o signo da urgência”, à semelhança do que tem feito o chefe da Igreja Católica. Em entrevista à Renascença, Marcelo Rebelo de Sousa pormenoriza essa urgência.

“Vê-se que o Papa Francisco está a viver o seu pontificado sob o signo da urgência. Como quem diz: ‘eu não tenho um prazo ilimitado, tenho um prazo limitado; tenho de fazer o máximo que puder dentro deste prazo, desta corrida contra o relógio’. Eu tenho a mesma noção. São cinco anos, mas destes cinco anos os primeiros são muito urgentes porque são aqueles em que se sente mais a ressaca da crise”, afirma na entrevista concedida à Renascença.

Em seguida, o Presidente acrescenta: “Nunca mudarei o meu estilo”, pois inevitavelmente o “sofrimento”, a “pobreza” e o “caos” irão sempre permanecer.

Questionado pela jornalista Aura Miguel se assumir as funções de Presidente passa por pôr de lado as suas convicções como católico, Marcelo Rebelo de Sousa responde que apesar de ter em conta a diversidade da sociedade portuguesa, na sua missão “não deixa de de ser o que é”, acrescentando mais adiante: “Toda a minha vida fiz pontes e acho que o católico deve – também em momentos de rutura – fazer pontes. Acho que essa é uma missão importante na sociedade portuguesa de hoje”.

Em relação à questão da eutanásia, diz que a sua opinião “não é apenas a opinião do católico, é a opinião de alguém que olha para aquilo que especialistas com diferentes formações dizem acerca do problema em causa”.

Marcelo considera ainda que na sociedade atual a problema da solidão ganha maior dimensão face à “desestruturação de antigas formas de vida comunitária” e “a própria pessoa está sujeita a uma fragmentação”, num contexto de grande mudança dos meios de socialização, integração social e aculturação: “Quando eu era criança, era a família, a Igreja Católica, por esta ordem, depois a escola, a televisão vinha no fim e não havia internet (…) Hoje, é exatamente o contrário: é internet e televisão em primeiro lugar, depois a escola, só depois a família, depois os grupos de amigos e os mais diversos novos gurus e só a seguir, nalguns casos, as comunidades religiosas”.