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PS sobre o prejuízo na CGD: é elevado mas “bastante abaixo” do previsto

Em declarações aos jornalistas no parlamento, o vice-presidente da bancada do PS João Paulo Correia comentava os cerca de dois mil milhões de euros de prejuízos na Caixa Geral de Depósitos avançados pela imprensa esta quinta-feira

O PS considerou esta sexta-feira que o prejuízo registado pela Caixa Geral de Depósitos, próximo de dois mil milhões de euros, é elevado mas "bastante abaixo" do previsto, garantindo que o processo de recapitalização avançará com os montantes previstos.

Em declarações aos jornalistas no parlamento, o vice-presidente da bancada do PS João Paulo Correia comentava os valores avançados pela imprensa desde quinta-feira e que serão esta sexta-feira oficialmente apresentados pela Comissão Executiva da Caixa Geral de Depósitos (CGD) pelas 17h30.

"É um valor elevado mas é um valor bastante abaixo do que era o prejuízo previsto para a CGD em 2016, que era de três mil milhões de euros", salientou o deputado socialista.

Questionado se estes prejuízos afetarão de alguma forma o processo de recapitalização em curso no banco público, o vice da bancada socialista salientou que "a proposta do governo em Bruxelas, e que foi aprovada pelas instâncias europeias, contemplava um registo de imparidades e nível de prejuízo acima" do que é agora conhecido.

"Neste momento, o que podemos dizer é que o processo de recapitalização vai continuar nos valores que foram apresentados e aprovados em Bruxelas", assegurou João Paulo Correia.

O deputado socialista apontou como razão principal para este nível de prejuízos o aumento de capital, que considerou insuficiente, feito pelo anterior Governo PSD/CDS-PP.

"Em primeiro lugar, o aumento de capital feito em 2012 pelo anterior governo não só não respondeu ao impacto da crise financeira internacional e crise das dívidas soberanas como não preparou a Caixa para apoiar a economia nos anos seguintes", criticou o deputado socialista, considerando que foi esta a razão para o banco público ter acumulado prejuízos nos anos seguintes.

Por outro lado, acrescentou, "o aumento de capital de 2012 não preparou a Caixa para a recessão mais profunda que se verificou até 2015".

"Neste momento, entendemos que o aumento de capital que está a ser preparado, que está em curso, é absolutamente necessário para que a Caixa regresse aos lucros", sublinhou João Paulo Correia, lembrando que o banco público contribuiu para o Orçamento do Estado durante anos através da distribuição de dividendos.

O deputado socialista classificou ainda como "uma grande vitória para Portugal" que o papel do Estado no aumento de capital da Caixa não tenha sido considerado por Bruxelas uma ajuda pública mas um investimento no sistema financeiro.

Questionado se as polémicas que têm envolvido o banco público no último ano podem ter aumentado os prejuízos na CGD, João Paulo Correia respondeu negativamente.

"Embora haja uma tentativa insistente de PSD e CDS de criar momentos que fragilizem e descredibilizem a CGD, felizmente, por ação do Governo e do conselho de administração da Caixa, tem sido possível manter a Caixa aos olhos das instâncias internacionais e dos seus clientes como agente altamente credível", frisou.