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Oposição renitente, parceiros ao ataque

Primeiro-ministro explicou no Parlamento qual a posição de Portugal sobre o Livro Branco sobre o Futuro da Europa, mas não recolheu grandes apoios

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

António Costa reafirmou que Portugal estará sempre no “núcleo duro” das políticas europeias e que o fundamental é corrigir e completar a União Económico-Monetária, mas nem o PSD nem o CDS se mostraram entusiasmados com uma posição que consideram tradicional.

Quanto ao Bloco de Esquerda e PCP, os parceiros do Governo, o entusiasmo foi ainda menor: enquanto o BE questionou o Governo se quer mesmo estar “no pelotão da frente de uma Europa que corre para o abismo”, para o PCP falta um “sexto cenário” no Livro Branco” de Juncker – o da rutura com a UE e “a libertação de Portugal da submissão do euro”.

O primeiro-ministro foi ao Parlamento para mais um debate quinzenal e ouvir os partidos sobre os pontos do Conselho Europeu que se realizará esta quinta-feira e depois em Bruxelas, mas o tema não foi de molde a arrebatar os deputados, como é costume nas questões europeias.

Miguel Morgado, pelo PSD, foi mesmo ao ponto de criticar o Livro Branco por “não trazer nada de novo” e menos ainda sobre os assuntos que verdadeiramente importam a Portugal, a União Económico-Monetária (UEM) e o sistema europeu de segurança dos depósitos bancários. “O Livro Branco chama à colação a discussão dos problemas, mas não pode adiar por nove meses as decisões”, afirmou, aludindo ao facto de só estar previsto tomar decisões sobre as propostas do documento no final do ano.

Quanto a uma Europa a várias velocidades, Morgado foi perentório - ela já existe. E perguntou ao Governo como encarava o que parecia ser a constituição de um novo “diretório” na UE, depois da reunião em Versalhes dos líderes francês, alemão, italiano e espanhol.
Também o CDS não se mostrou agradado. “Esta discussão não pode significar o adiamento de decisões fundamentais”, disse, mencionando igualmente os problemas da UEM. Quanto à proposta da Comissão de uma “união de defesa”, se ela for feita à margem da NATO - declarou - “será, antes, uma união de fraqueza”.

Mas foram os parceiros do Governo que mais se demarcaram. Para Catarina Martins, “ninguém leva a sério o renascimento da Europa”, pois o que verdadeiramente se prepara, no seu entender, é o anúncio formal do fim dos fundos de coesão.

“A Europa rendeu-se ao discurso de Trump”, disse ainda a coordenadora do Bloco, “ao adotar o discurso securitário. No momento em que se celebram os 60 anos da Europa, os refugiados são a sua maior vergonha”.

João Oliveira, líder parlamentar do PCP, destacou que o rumo da Europa “não tem futuro” e que o cenário de rutura com a UE impõe-se, pois esta “é cada vez mais contrária os interesses de Portugal”. O dirigente comunista sublinhou que só na libertação do euro “reside o futuro de uma Europa de paz, cooperação e solidariedade e não uma União Europeia de exploração, retrocesso, imposição e guerra”.

E concluiu: “Quase que poderíamos resumir o projeto de conclusões do Conselho Europeu numa única frase: ‘pouco ou nada de novo, e no que é novo, mais do mesmo ou pior ainda’”.
Em resposta, António Costa sublinhou que o cenário de geometria variável “é aberto”, sendo que – tal como lhe transmitiu o ministro da Economia francês – “Portugal é muito bem-vindo”.

“Não podemos ignorar que há Estados-membros que não querem avançar ou querem outro rumo”, disse Costa, destacando que ele próprio preferia um cenário em que todos avançassem. Reiterou, todavia, que não passará “um cheque em branco ao Livro Branco”.

“No meu melhor otimismo, não sei se daqui a 10 anos estaremos melhor”, disse ainda o primeiro-ministro, para quem não há todavia o direito de não salvar a Europa.