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Passos vai confrontar Costa na AR com polémica sobre o governador do Banco de Portugal

Marcos Borga

"Tem havido por parte dos partidos que apoiam o Governo um conjunto de declarações que são abertamente hostis ao atual governador", criticou

O líder do PSD criticou hoje a esquerda parlamentar por conviver mal com os reguladores e fazer declarações hostis sobre o governador do Banco de Portugal, antecipando que no debate quinzenal vai confrontar o primeiro-ministro com a polémica.

"Tem havido por parte dos partidos que apoiam o Governo um conjunto de declarações que são abertamente hostis ao atual governador e que de certa maneira escondem a forma como a maioria convive mal com os reguladores, com os órgãos, as entidades e instituições que têm independência. Já vimos isso a propósito do Conselho de Finanças Públicas, vemos isso a propósito do Banco de Portugal e outras instituições", criticou o presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, em declarações aos jornalistas à margem da visita ao Salão Internacional do Setor Alimentar e Bebidas (SISAB), em Lisboa.

Uma vez que o primeiro-ministro, António Costa, estará na quarta-feira no parlamento para o debate quinzenal, o líder do PSD considerou que "essa será talvez a circunstância mais adequada para tratar estes assuntos na medida em que é preciso confrontar o Governo com algumas das notícias que têm vindo a público".

"Eu não quero estar a comentar sem saber exatamente o que é que se passa do lado do Governo", disse aos jornalistas.

Passos Coelho assegurou não ter conhecimento nem ver nenhuma circunstância nova que tenha vindo a debate que "obrigue a um reexame daquilo que foi a intervenção que o Banco de Portugal ou o governador, em particular, fizeram no seu papel de supervisor e, em particular, com a forma como lidaram com a questão do BES".

"Não tenho nenhuma razão para pôr em dúvida a decisão que na altura o Governo tomou, de fazer a sua recondução [de Carlos Costa] e daquilo que já caracterizei como um certo regurgitamento de matérias que têm relação com a forma como o Banco Espírito Santo foi resolvido pelo Banco de Portugal, não vejo nenhum motivo que me leve a pensar que o governador não tem exercido o seu lugar com competência, com profissionalismo e com isenção", enfatizou.

O ex-primeiro-ministro recordou que "está na agenda parlamentar desta semana previsto um debate sobre as questões da supervisão", o que vai "ser uma boa oportunidade para poder separar bem as águas".

"Para saber quem é que está interessado em discutir a qualidade da supervisão e quem é que está interessado em ajustar contas e em fazer tiro ao governador e quem é que usa, manipula este tipo de debates para não estar a discutir a natureza dos problemas, mas estar a fazer uma espécie de ataque político", distinguiu.

Passos vincou as críticas aos partidos de esquerda que apoiam parlamentarmente o Governo, acusando-os de "fraca cultura democrática, muita intolerância e às vezes até uma desconsideração direta pelas pessoas que estão envolvidas nestas críticas".

Questionado sobre se sentia estar totalmente informado em relação a todo este processo, o líder do PSD começou por responder que "não há ninguém que possa dizer que conhece tudo o que há para conhecer", mas recordou que houve uma comissão de inquérito no parlamento para tratar da resolução do BES, aconselhando mesmo os jornalistas "a revisitarem as conclusões dessa comissão de inquérito".

"A menos que alguém venha dizer que há factos relevantes que não constam desse inquérito e que em face da sua novidade e gravidade obriguem a uma reanálise daquilo que foi o inquérito parlamentar, a menos disso, eu não vejo razão para estarmos a regurgitar essas matérias sempre que se querem dar bicadas nas entidades independentes, nos reguladores, nos supervisores", insistiu.

Sobre a disponibilidade do governador em ir ao parlamento, Passos Coelho notou que "não é um facto novo" uma vez que Carlos Costa "teve sempre uma posição de abertura ao esclarecimento", mas disse compreender que agora queira, "em face das notícias que têm vindo na comunicação social, mostrar-se disponível para ir ao parlamento, se essa for a vontade dos deputados".