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Seixas da Costa ataca PS.“O PREC já acabou, sabiam?”

Nuno Botelho

Embaixador diz que a “democracia tem regras e uma delas é saber viver com as instituições”. Em causa estão polémicas relacionadas com Teodora Cardoso e o governador do Banco de Portugal

O embaixador Francisco Seixas da Costa criticou esta segunda-feira o facto de o PS admitir rever o modelo do Conselho de Finanças Públicas (CFP), depois de Teodora Cardoso ter afirmado que o défice de 2016 foi um “milagre” conseguido com medidas insustentáveis. E as críticas visam ainda a polémica que envolve o governador do Banco de Portugal.

“Estou-me perfeitamente borrifando para o que pensa quem anda pelo Bloco ou pelo PC ou respetivas bordas. Mas gostava de deixar claro, à atenção do PS, que a irresponsabilidade desqualifica politicamente um partido de poder (como, noutros domínios, está a desqualificar gravemente o atual PSD), pelo que seria de uma imensa insanidade democrática apelar, nesta conjuntura, à revisão do estatuto do Conselho de Finanças Públicas ou à demissão do governador do Banco de Portugal”, escreveu Francisco Seixas da Costa num post na sua página do Facebook.

“Mas eu estou seguro de que António Costa está bem ciente disto. O PREC já acabou, sabiam?”, questionou.

O embaixador considerou que é importante que o CFP e a sua presidente sejam repreendidos quando se discorda das suas opiniões, expondo-se “as suas insuficiências e contradições”.

Referiu também que é “saudável que haja um escrutínio público sobre o governador do Banco de Portugal”, no entanto, lembrou que a “democracia tem regras e uma delas é saber viver com as instituições, muito em especial quando o que elas fazem não está em sintonia com o que pensamos”.

As declarações de Seixas da Costa surgem depois de o BE e PCP terem afirmado esta segunda-feira ao “Público” que o CFP devia ser extinto e que aliás nunca concordaram com a sua criação.

O deputado do PS Eurico Brilhante Dias admitiu por sua vez, na sexta-feira, em entrevista à Renascença, que o modelo do CFP poderá ser alvo de reflexão no Parlamento, lamentando que tenha criado “pânico e desconfiança na execução orçamental.”

Um dia antes, Carlos César criticou também as declarações de Teodora Cardoso, afirmando que o Conselho de Finanças Públicas falhou na sua previsão em relação ao défice para 2016 e que é um organismo especialista em “maus augúrios”.