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Hollande: “Ou há uma UE a duas velocidades ou ela explode”

CHRISTOPHE ARCHAMBAULT / AFP / Getty Images

O Presidente francês recebe esta segunda-feira, numa cimeira em Versalhes, os líderes da Alemanha, Itália e Espanha para debater futuro da Europa

Luísa Meireles

Luísa Meireles

Redatora Principal

François Hollande considera que o futuro da União Europeia passa por um sistema a "duas velocidades", ou ela corre o risco de explodir. Uma Europa a duas velocidades pressupõe que uns países se reúnam para levar a cabo maior integração em relação a certos temas,

"A Europa a 27 já não pode ser uniforme a 27", afirma o Presidente francês, numa entrevista conjunta a seis grandes jornais europeus, no mesmo dia em que recebe para uma cimeira em Versalhes os líderes da Alemanha, Itália e Espanha. Na quinta e sexta-feira, terá lugar em Bruxelas a reunião do Conselho Europeu e é suposto que os quatro assumam uma posição comum.

"Durante muito tempo esta ideia de uma Europa diferenciada, com velocidades diferentes e ritmos distintos para progredir, susciou muita resistência. Mas hoje esta ideia impõe-se, senão é a Europa que explode", afirma o Presidente francês.

Hollande diz ter a consciência de que a Europa chegou a um momento de "charneira": "O sobressalto europeu supõe uma escolha clara sobre a sua forma de organização", refere. Para o Presidente francês, na base de uma Europa a duas velocidades "seria posível aos Estados-membros que quisessem ir mais longe em temas como a defesa, harmonização fiscal, cultura ou juventude. Temos de imaginar graus de integração", acrescenta.

Hollande também diz que proporia um orçamento para a zona euro, "porque alguns países nunca se juntarão à zona euro" e, portanto, não faz sentido esperar por eles para aprofundar a integração da zona euro.

Costa a favor das "duas velocidades" mas com condições

Em entrevista ao Expresso este sábado, o primeiro-ministro António Costa não se manifesta contra uma Europa a duas velocidades, mas apenas se ela tiver um conteúdo diferente daquele que foi proposto pelo presidente da Comissão Europeia Jean-Claude Juncker .

Segundo o primeiro-ministro, "a UE deve focar-se em algumas áreas e aprofundá-las, como a política comercial, migrações, combate ao terrorismo, e completar a União Económico-Monetária (UEM) com o pilar social e mecanismos de prevenção de riscos e capacidade de responder aos choques assimétricos, dotar a zona euro de uma capacidade orçamental digna desse nome".

Ao mesmo tempo, diz, a UE deve "aprofundar a cooperação na defesa e política externa". Quanto às políticas de convergência e coesão e a política social, é da opinião que "não podem cair".

Hollande candidato a presidente do Conselho?

Numa entrevista vincadamente sobre temas europeus, o chefe de Estado francês não se furta a falar sobre a recondução ou eleição de novo presidente do Conselho Europeu. Donald Tusk termina agora o seu mandato e os socialistas apontam o nome de Hollande para o substituir caso não haja consenso sobre a recondução de Tusk.

O Conselho Europeu que se realiza esta semana irá precisamente debater este tema.

Hollande afirma que ele próprio apresentou a candidatura de Tusk há dois anos e meio, e que não tem razões para o pôr em causa, mesmo se devido aos equilíbrios políticos fosse agora a vez de um socialista. "Tento ter uma visão mais europeia que partidária ou nacional", diz.

Quanto ao facto de a Polónia se opor terminantemente à recondução de Tusk, tendo mesmo proposto um candidato alternativo (o eurodeputado polaco Jacek Saryusz-Wolski), Hollande considera que juridicamente o país de origem não pode opôr-se a que um dos seus nacionais seja presidente de uma instituição europeia, porque a decisão é tomada por maioria qualificada.

"O Conselho Europeu tem de debater este assunto politicamente. Há a possibilidade de escolher um candidato recusado pelo seu próprio país. Mas no que me diz respeito – sublinha – não participarei no seu afastamento".