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António Costa: falta de qualificações dos portugueses é o maior défice do país

Discursando na apresentação do programa qualifica, o primeiro-ministro defendeu que “o maior défice estrutural que o país tem e que se acumulou durante séculos, que se acumulou durante as décadas do século XX, foi mesmo o défice das qualificações”

O primeiro-ministro, António Costa, considerou hoje que o "maior défice estrutural" que o país apresenta é o das qualificações, sustentando que a "chave" do problema passa pelo sector da inovação.

"O país tem ouvido falar muito de défices ao longo dos últimos anos, mas o maior défice estrutural que o país tem e que se acumulou durante séculos, que se acumulou durante as décadas do século XX, foi mesmo o défice das qualificações", disse.

Para o primeiro-ministro, que apresentava no Centro de Ciências do Café em Campo Maior, no distrito de Portalegre, o programa Qualifica, destinado à educação e formação de adultos, a "chave" para o futuro do país "está na inovação", sendo, na sua opinião, a "primeira condição" para a inovação, a qualificação para dos recursos humanos.

António Costa sublinhou que o programa Qualifica é "central" para o futuro do país, considerando que foi "um erro" ter-se desinvestido nos últimos anos na formação e educação de adultos.

O primeiro-ministro fez ainda questão de acrescentar que o programa Qualifica "não é uma repetição" do antigo programa Novas Oportunidades, lançado pelo antigo primeiro-ministro José Sócrates.

O programa Qualifica, destinado à educação e formação de adultos, deverá abranger cerca de 600.000 pessoas até 2020.

Esta estratégia é encarada como prioritária e integra-se no Programa Nacional de Reformas.

O programa pretende garantir que até 2020 metade da população ativa do país conclua o ensino secundário.

Alcançar uma taxa de participação de adultos em atividades de aprendizagem ao longo da vida de 15%, alargada para 25% em 2025 é outro dos objetivos do programa.

O governo pretende ver instalados cerca de 300 centros Qualifica no continente até ao final de 2017.

Atualmente, existem 261 centros, 30 dos quais criados no ano passado. Este ano, será aberto concurso para mais 42.

Podem inscrever-se neste programa todos os adultos que não disponham de qualificação de nível básico, secundário e/ou profissional, bem como os jovens que tenham abandonado a escola e não se encontrem a trabalhar ou a estudar.

De acordo com o governo, este programa distingue-se dos anteriores por colocar mais ênfase na qualificação "com obrigatoriedade de encaminhamento para formação certificada" ajustada às necessidades de cada formando.

"Passa a existir uma lógica de complementaridade entre reconhecimento, validação e certificação de competências", acrescentou a mesma fonte.

Para facilitar a informação, estará disponível uma plataforma tecnológica, o Portal Qualifica, onde podem ser igualmente consultados os serviços e instrumentos relacionados com o programa.

O portal dirige-se a formandos, empregadores e agentes ligados à educação e formação de adultos, permitindo pesquisar a oferta existente, por zonas, recolher informação sobre o Sistema Nacional de Créditos e obter ou atualizar o Passaporte Qualifica, que registará a formação.

O governo justifica a criação do programa com a quebra verificada na formação de adultos nos últimos anos: em 2013/14, havia pouco mais de 39.000 inscritos, "um terço do número registado em 2000/01".

Os novos centros serão criados por concurso, em função das necessidades locais e regionais de qualificação.