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Marques Mendes diz que justificação de erro informático no caso das offshores é “suspeita”

Declarações de Paulo Núncio “não foram credíveis nem convincentes” e há “explicações a dar” sobre o suposto erro informático no caso das offshores. Já Rocha Andrade, secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, “foi surpreendentemente sólido, seguro e credível, e não cedeu à tentação partidária”. PSD e CDS saem a perder com isto tudo, pois “fica a ideia, ainda que injusta, que pactuam com as offshores e com quem quer fugir aos impostos”, mas não são os únicos. Na verdade, toda a sociedade sai a perder: “São este tipo de situações de desprestígio das instituições e da classe política que vão depois alimentar os populismos”. Eis alguns dos comentários e pensamentos e reflexões que Marques Mendes partilhou este domingo à noite, no seu espaço habitual na SIC

Helena Bento

Helena Bento

Jornalista

Marques Mendes tem várias coisas a dizer sobre o caso das offshores. Primeiro, considera que as declarações de Paulo Núncio, “não foram credíveis nem convincentes”. “Não é credível que ele diga que fez tudo aquilo sozinho e que assuma todas as responsabilidades”. E em segundo lugar, considera “suspeita” a explicação de ter havido um problema informático para o não controlo inspetivo de algumas transferências para offshore. “Parece que os computadores têm as costas largas. Faz lembrar quando Ricardo Salgado culpava o contabilista por tudo e por nada”, afirmou Marques Mendes, no seu comentário habitual na SIC, este domingo à noite. “Há explicações que ainda precisam de ser dadas, coisas que não batem certo. Como é que o sistema informático funcionou bem em 2009 e não funcionou bem nos anos seguintes? Não haverá aqui negligência?”, questionou. Já a postura de Rocha Andrade é de elogiar. O secretário de Estado dos Assuntos Fiscais “foi surpreendentemente sólido, seguro e credível, e não cedeu à tentação partidária”.

Questionado a respeito das consequências políticas de tudo isto, Marques Mendes disse que para o PSD e para o CDS a situação representa “um incómodo”. “Fica a ideia, ainda que injusta, que PSD e CDS pactuam com as offshores e com quem quer fugir aos impostos.” Mas a “consequência mais grave”, apontou o comentador, é mesmo “o desprestígio de toda a classe política e das instituições aos olhos das pessoas”. “Saem todos a perder. São estes tipo de situações que vão alimentar depois os populismos”.

“Fica confirmado ou reforçado que Ricardo Salgado é uma espécie de génio do mal”, disse Marques Mendes quando questionado sobre a reportagem da SIC “Assalto ao Castelo”. “Salgado é odiado por toda a gente, mas ainda hoje toda a gente lhe presta vassalagem”, disse o comentador, esclarecendo depois: “A generalidade da classe política não o critica em público, critica em privado e baixinho, e mais facilmente ataca Carlos Costa, Governador do Banco de Portugal, do que Salgado, confundindo o ladrão com o polícia”. Outra ideia que Marques Mendes reteu da reportagem foi que o Banco de Portugal “agiu de forma tardia e deveria ter agido antes”.

Questionado sobre a pressão atual sobre Carlos Costa, Marques Mendes disse: “Se o Governo entende que não pode substituir o governador, então que o deixe trabalhar”. O comentador considera ainda Marcelo Rebelo de Sousa deveria “intervir no caso e fazer mediação para apelar ao bom senso e pôr ordem na casa”.