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Relatório sobre Metro de Lisboa “é alarmante”, diz candidato do BE à Câmara de Lisboa

MIGUEL A. LOPES/LUSA

Ricardo Robles destacou os “problemas gravíssimos” elencados no relatório, como o facto de não se estar “a cumprir nem 50% da regularidade dos tempos de passagem dos comboios”, e sublinha “desinvestimento” do antigo governo

O candidato do Bloco de Esquerda (BE) à presidência da Câmara de Lisboa defendeu este sábado que o relatório da Autoridade dos Transportes sobre a atividade do Metropolitano “é alarmante” por apontar “problemas gravíssimos” no funcionamento da rede.

Em declarações à agência Lusa, Ricardo Robles destacou os “problemas gravíssimos” elencados no relatório, como o facto de não se estar “a cumprir nem 50% da regularidade dos tempos de passagem dos comboios”.

“Nós já sabíamos que o desinvestimento feito no tempo de Pedro Passos Coelho [governo PSD/CDS], com a concessão a privados, tinha esse objetivo de desmantelar o serviço público de transportes em Lisboa, mas estes dados são extremamente preocupantes”, reforçou o candidato.

“Quando nos preocupávamos com a linha verde, que tinha poucas carruagens, este relatório diz-nos que a linha verde está mal, mas que a linha azul ainda está pior”, exemplificou.

Para Ricardo Robles “tem de haver uma reação muito rápida a isto porque o problema dos transportes públicos em Lisboa é gravíssimo”.

O também líder do BE na Assembleia Municipal falava à agência Lusa no final de um debate sobre “Construir alternativas para viver em Lisboa”, na sede do Lusitano Clube, em Alfama, coletividade que abandona nos próximos dias o local onde está há 111 anos.

A Autoridade dos Transportes detetou “indisponibilidade parcial” na venda de bilhetes do Metro de Lisboa, bem como “desfasamentos entre os tempos medidos” e informação disponível nos cais, segundo um relatório divulgado na sexta-feira relativo à “ação inspetiva e de diagnóstico” em três dias de operações (12, 14 e 18 de dezembro de 2016).

Ainda assim, a Autoridade dos Transportes considera que, “na generalidade, não se verificaram insuficiências substanciais no atendimento ao passageiro e no acesso a serviços e infraestruturas” do Metro de Lisboa.

“Pelas constatações efetuadas, não foram identificados eventuais incumprimentos legais ou contratuais”, mas isto porque “o contrato não é adequadamente objetivo, de forma a permitir a medição detalhada de indicadores de performance”, adianta o regulador.

Segundo Ricardo Robles, “esse é o problema mais grave”, por significar que “o incumprimento não é sancionável”. “Isso tem de mudar rapidamente e a Câmara de Lisboa, apesar de não ser a titular do Metro de Lisboa, tem uma palavra a dizer", salientou o bloquista, argumentando que "fazia muito sentido" que a autarquia tivesse "uma palavra muito forte na gestão operacional” da empresa.

De acordo com dados da base Pordata, o Metro de Lisboa transportou em 2015 pouco mais de 142.700 passageiros.
Dez anos antes, em 2005, o Metro de Lisboa transportou mais de 185 mil passageiros. Já em 1990, o Metro lisboeta transportou 141.500 passageiros.