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Joaquim Jorge é candidato do PSD a Matosinhos: “Convite não foi brincadeira”

A DÚVIDA. Mentor do Clube dos Pensadores afirma que foi convidado para correr por Matosinhos, mas a Distrital do PSD alega que tudo não terá passado de auscultação preliminar

RUI DUARTE SILVA

Fundador do Clubes dos Pensadores jura que foi convidado pela concelhia do PSD de Matosinhos para ser candidato independente à câmara da sua terra natal. Distrital desconhece a escolha e desconfia que possa ter existido um erro de perceção

Isabel Paulo

Isabel Paulo

Jornalista

Joaquim Jorge cansou-se de esperar pela validação do seu nome a nível superior e anunciou, esta quinta-feira, que aceita o convite de José António Barbosa, líder da concelhia do PSD de Matosinhos, para se candidatar em coligação com o CDS à Câmara de Matosinhos.

O fundador do Clube dos Pensadores, que diz que o que gostava mesmo, se tivesse meios para correr a solo, era de ser candidato totalmente independente, conta que o convite lhe foi endereçado no dia 24 de fevereiro, durante uma reunião em que se fez acompanhar pela mulher e na qual esteve também presente o vice concelhio Joaquim Pinto Lobão.

“A minha primeira reação foi não aceitar o convite, mas foi-me pedido para ponderar até nova conversa, agendada para dois dias depois, para mais esclarecimentos e troca de ideias“, refere Joaquim Jorge, que confessa ter ficado então mais sensível ao desafio e pedido uns dias de reflexão.

“Não por ter dúvidas mas porque uma candidatura exige entendimentos e interfere com a vida familiar”, adianta, confiante que uma candidatura à Câmara de Matosinhos que englobe PSD e CDS e independentes tem toda a possibilidade de ter sucesso em outubro, mesmo que historicamente o concelho seja um feudo socialista desde a Revolução.

Joaquim Jorge, ex-militante socialista, desfiliado das hostes do PS desde 2008, após ter alegado que a vida partidária não era aliciante, afirma que estava sossegado em casa quando foi desafiado para se reunir com José António Barbosa, tendo-se comprometido a guardar sigilo do convite por algum tempo, “não por tempo indeterminado”.

“Isto não foi uma brincadeira”, assegura ao Expresso, “alheio” ao que se passa nas estruturas do partido. “Eu sou um ativista cívico, que pensa a democracia e se bate por projetos de cidadania, não por questões processuais e impasses internos partidários”, acrescenta Joaquim Jorge, docente de biologia, que resolveu quebrar a promessa dada há duas semanas “pelo facto de o convite ter transpirado” para a praça pública.

“Desconheço quem foi o autor da fuga de informação e, sendo já um segredo público, não vou negar o óbvio”, esclarece Joaquim Jorge, entusiasmado por poder “passar das palavras aos atos” após 11 anos de debates públicos no Clube de Pensadores, espaço de intervenção cívico que fez convergir a Vila Nova de Gaia, onde reside, nomes grados de todos os quadrantes políticos, como Marcelo Rebelo de Sousa, Alberto João Jardim, Jerónimo de Sousa, Paulo Portas ou o ex-ministro Miguel Relvas, apupado enquanto discursava e impelido a cantar Grândola Vila Morena numa tentativa frustrada de apaziguar os ânimos, em fevereiro de 2013.

Pensador culpa Marco António pelo impasse

Apesar de não desmentir o encontro com Joaquim Jorge, o líder da concelhia social-democrata referiu ao Expresso que o nome do independente está ainda em fase de discussão interna, antes de ser formalmente apresentado à Distrital do PSD/Porto. O Expresso tentou sem sucesso entrar em contacto com Bragança Fernandes, tendo o secretário-geral da Distrital, José Manuel Soares, afiançado que ainda nenhum nome foi proposto pela concelhia de Matosinhos.

A tese da Distrital é que possa ter existido um erro de perceção por parte de Joaquim Jorge, que terá sido auscultado para o partido aferir a sua disponibilidade para protagonizar uma candidatura autárquica com o carimbo do PSD e CDS.

Segundo fonte do PSD local, o ex-líder da Distrital do Porto e deputado Virgílio Macedo é o candidato preferido de Marco António Costa para Matosinhos, cidade onde vive há largos anos e conhece bem o terreno. Esse é também o entendimento de Joaquim Jorge para o impasse em torno da sua candidatura, que alega que o vice-presidente do PSD quer impor “o seu compagnon de route, como tenta aliás que todos os candidatos sejam próximos de si”.

De conhecer bem Matosinhos orgulha-se Joaquim Jorge, nascido e residente em S. Mamede de Infesta até aos 27 anos. Aos 59 anos, o cronista e docente está convicto que uma candidatura abrangente entre PSD, CDS-PP e independentes terá possibilidade de contrariar o passado em Matosinhos, numa altura em que o município se encontra “vulnerável por quezílias, antipatias, querelas e divisões paroquias entre os apoiantes da deputada Luísa Salgueiro, escolhida por Manuel Pizarro, e Ernesto Páscoa, o eleito da concelhia socialista”.

Consigo, defende que o que estará em causa é o melhor para Matosinhos -e não lutas partidárias. A Distrital vai esperar para ver a decisão da concelhia, confiando José Manuel Soares que haverá fumo branco dentro de uma ou duas semanas quanto ao nome do candidato social-democrata a Matosinhos. Duas semanas é ainda o prazo dado a Gondomar para escolher o próximo candidato do PSD, antes que a Distrital opte por avocar o processo autárquico.