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Carlos Moedas: “Então agora digam-nos para onde querem ir”

NUNO FOX/LUSA

O Comissário para a Investigação, Ciência e Inovação diz que o Livro Branco sobre o Futuro da Europa aponta caminhos e consequências. Para Moedas, são os cidadãos que têm de escolher

O comissário português fala numa “forma diferente de fazer política”, em que os cidadãos não são confrontados com decisões tomadas à porta fechada mas são chamados ao debate. Se o Livro Branco sobre o Futuro da Europa - apresentado hoje pela Comissão - apresenta cinco cenários possíveis em vez de apontar um único caminho, é porque Bruxelas quer que sejam outros a decidir como lá chegar.

“Essa não é uma escolha dos comissários, nem do presidente da Comissão, é das pessoas”, adianta Carlos Moedas referindo-se ao futuro do projeto europeu. “O que fizemos aqui foi apresentar caminhos e as consequências desses caminhos”, continua, dando como exemplo um cenário futuro em que se aposte apenas no Mercado Único.

“Será que depois conseguimos passar as fronteiras de um lado para o outro? Será que a qualidade da água e a qualidade do ar vão ser as mesmas?”, questiona.

Para Carlos Moedas é necessário que os 27 que sejam confrontados com a realidade e assumam também a responsabilidade pelas escolhas que vierem a fazer. “Os países podem até dizer que não querem nenhum destes caminhos, que querem um caminho novo ou um caminho diferente, ou um caminho que seja uma mistura de todas estas opções”, atira, deixando claro que os Estados-membros “vão de definir e tomar posição”.

Bruxelas quer deixar de ser a má da fita e mostrar aos cidadãos os limites do poder que tem - ou pode ter - a União Europeia. “Passámos 20 anos com os países a culpabilizar a Europa. A União Europeia tem culpa de tudo, então agora digam-nos para onde querem ir”, diz Moedas.

Esta é a oportunidade, defende o Comissário, para explicar aos cidadãos os reais poderes, as limitações e vantagens das instituições europeias. Escusando-se a escolher um dos cinco cenário, Moedas acredita que, ao lerem o documento, “as pessoas vão perceber que as decisões de retrocesso têm custos enormes”.