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“Mário Centeno 
é o ministro mais popular”

Eduardo Cabrita, ministro da Administração Interna

Alberto Frias

O ministro-adjunto garante que o Governo não está a proteger Mário Centeno, até porque se trata do “ministro mais popular de todos” e o “rosto” dos “bons resultados alcançados”. Eduardo Cabrita considera um “aburdo” que sejam lidos por terceiros os SMS trocados entre duas pessoas, mas deixa um recado: “em política, estamos todos a prazo”. Governo e Presidente da República incluídos

Helena Pereira

Helena Pereira

Editora de Política

Mário Centeno tem condições para continuar?
O ministro das Finanças está associado a notáveis resultados...

É irremodelável?
Todos os governantes sabem que é o primeiro-ministro quem decide. Mas se no Governo estes resultados podem ter um rosto, é o de Mário Centeno.

Acha que tem condições pessoais para continuar?
É uma matéria da exclusiva competência do primeiro-ministro. Só estranho que a questão seja colocada relativamente a um ministro que é o rosto dos mais notáveis resultados das finanças públicas portuguesas.

Há um comunicado do Presidente da República que coloca a questão...
Está a distorcer o comunicado, que realça que o fundamental é a estabilização financeira e o trabalho que tem vindo a ser feito.

Marcelo exorbitou as suas funções?
O Presidente tem cumprido ativamente o seu mandato. A solidariedade para com o país e o Governo tem favorecido claramente os bons resultados obtidos.

Esta semana, o Presidente quase disse que Mário Centeno é um ministro a prazo.
Estamos todos a prazo em política: o Presidente e o Governo.

O ministro resistirá a uma segunda comissão parlamentar de inquérito?
É especulativo falar sobre uma coisa que ainda não existe.

Já leu os SMS de António Domingues?
Isso é totalmente absurdo! Também não leio os SMS que troca com outras pessoas.

Um conselheiro de Estado já leu, o Presidente da República também. Ainda são comunicações privadas quando já são públicos alguns SMS?
Não li nem vi transcrições nenhumas. Não vejo qual o sentido de nos pronunciarmos sobre trocas de comunicações entre outras pessoas.

Mesmo se estiver em causa uma conduta menos lícita?
Não vejo como pode ser posto nesses termos.

António Domingues está disponível para os mostrar.
Não me cabe fazer juízos.

Se aparecer um SMS comprometedor, o ministro tem condições para continuar?
Não faço especulações.

O Governo está a proteger o ministro nesta guerra?
Não é essa a questão. O ministro das Finanças é, nas sondagens, o mais popular do Governo e está associado a resultados extraordinários

A descentralização vai abanar a ‘geringonça’? O entendimento é só com o PSD.
O que foi aprovado só foi possível com um consenso alargado com as autarquias. Este processo exige um ambiente de confiança com os autarcas, uma vontade descentralizadora do Governo e o empenho parlamentar que já verifiquei existir.

O diploma pode contar com os votos do PCP e do Bloco?
Não antecipo votações.

A descentralização não prevê o envelope financeiro...
Tem de ser assim! Haverá momentos diferentes. A lei das finanças locais corresponderá à expressão financeira do acordo político que for possível atingir. Os princípios estão expressos na lei-quadro e até ao final do debate parlamentar desta lei, haverá uma proposta de lei de finanças locais, uma lei de organização dos serviços e anteprojetos sobre os vários sectores.

Vão ao Parlamento?
São decretos-lei. Só se o Parlamento os quiser avocar.

Acha que vai haver acordo para as Áreas Metropolitanas? Aí o PSD está contra
Não sei. É uma competência absoluta do Parlamento porque se trata da criação de uma nova autarquia. Há um consenso geral de que o modelo atual não serve para nada. Tendo em conta que cada dia que passa se aproximam as eleições, admite-se que o próximo mandato possa ser de transição e que a primeira eleição ocorra apenas em 2021.

Irão negociar com todos os partidos parlamentares?
A expressão negociação é exagerada. Queremos um debate parlamentar e temos abertura à apreciação de propostas. O que está previsto, no início do próximo ano, é a democratização das comissões de coordenação regional (CCR). É um ato de extrema coragem política, porque os próximos dirigentes serão designados por via direta, a partir do conjunto dos autarcas da região.

Vai haver transferência de fundos europeus para as CCR?
As comissões irão tratar dos programas operacionais regionais. Obviamente não vão gerir o programa da Agricultura nem o Compete. Seria absurdo

Está no preâmbulo do diploma!
Não está nem nunca esteve em cima da mesa. Se houve leituras erróneas, paciência...

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