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Teixeira dos Santos desmente Lacão sobre pedido de resgate em 2011

Teixeira dos Santos, presidente do banco BIC

© Hugo Correia / Reuters

Ex-ministro das Finanças de Sócrates lembra que foi o primeiro defensor do resgate, confirmando tese de Cavaco Silva que Lacão quis contrariar

Helena Pereira

Helena Pereira

Editora de Política

“Essa questão já foi relatada por diversas vezes e nunca nesses termos”. É com estas palavras, ditas ao Expresso, que o ex-ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, desmente a versão apresentada na quinta-feira pelo socialista Jorge Lacão sobre o pedido de resgate em 2011.

O ex-secretário de Estado dos Assuntos Parlamentares afirmou ao Público que a decisão de pedir um resgate partiu do primeiro-ministro e foi articulada consigo - e que só depois disso Teixeira dos Santos foi informado. Dessa forma, Lacão procurava contrariar o que Cavaco Silva escrevera no seu livro de memórias "Quinta-feira e outros dias", que está recheado de críticas a Sócrates.

No livro, Cavaco escreve: “Percebi, no final do dia, ao tomar conhecimento da declaração do ministro [das Finanças, Teixeira dos Santos] ao Jornal de Negócios, reconhecendo que ‘era necessário recorrer aos mecanismos de financiamento disponíveis no quadro europeu’, que ele estava finalmente determinado a enfrentar o primeiro-ministro.” A “obstinação” de Sócrates “fora vencida pela atitude patriótica e corajosa do seu ministro das Finanças, Teixeira dos Santos", acrescentou.

Esta quinta-feira, ao Público, Lacão explica que a primeira iniciativa não foi de Teixeira dos Santos mas de Sócrates. “Fui eu próprio, por volta da hora do almoço, depois de ter estabelecido acordo com o primeiro-ministro que faria a declaração, que informei o meu colega das Finanças, para que não pudesse ser apanhado de surpresa, sobre o que ia concretizar no plenário do Parlamento nessa mesma tarde".

Ora, o primeiro a admitir o pedido foi Teixeira dos Santos ao início da tarde do dia 6 de abril. Em 2015, o ex-ministro explicaria, em entrevista à TVI, que foi ele a alertar o PM que esse pedido seria “fatal como o destino” e que passou aquele dia a convencer disso Sócrates.