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Política

PSD furioso por Marcelo evocar Gaspar

Marcos Borga

Sociais-democratas não gostaram de ouvir o Presidente da República comparar eventual saída de Centeno com a de Vítor Gaspar em 2013

Cristina Figueiredo

Cristina Figueiredo

Jornalista da secção Política

Os sociais-democratas levaram as mãos à cabeça quando ouviram o Presidente da República comparar uma eventual saída de Mário Centeno do Governo com a demissão de Vítor Gaspar da pasta das Finanças, em julho de 2013. A comparação que Marcelo fez entre duas situações “completamente distintas” foi considerada no maior partido da oposição como sendo “desonesta”.

O PSD lembra que Gaspar apresentou a sua demissão a Passos Coelho ao fim de dois anos a cumprir um severo programa de ajustamento financeiro, após um segundo chumbo do Tribunal Constitucional a medidas orçamentais e só depois de oficialmente concluída a sétima (e última) avaliação da troika. Seguindo a mesma linha de raciocínio (a de que se chegou a um “fim de ciclo”), esta seria, aliás, para o maior partido da oposição, a altura certa para Centeno sair de cena sem dramas de maior para o país: com o resultado do défice de 2016 fixado em 2,1% e a quase certa saída do procedimento por défice excessivo (decisão que será tomada por Bruxelas após conhecimento dos dados de abril do Eurostat).

Na segunda-feira à noite, presente em estúdio para a emissão especial do 24º aniversário da TVI, o Presidente da República invocou a necessidade de “estabilidade financeira” e o “interesse nacional” para justificar a permanência de Mário Centeno no Governo. Marcelo lembrou que, em 2013, a demissão de Vítor Gaspar provocou um pedido de demissão do líder do segundo partido da coligação, uma tentativa de acordo (por parte do então Presidente) entre Governo e PS e, enfim, uma longa crise governamental com eco nos mercados financeiros. E estabelecendo um paralelismo com o momento atual disse: “Daqui a um mês temos a saída dos números do Eurostat, logo a seguir a saída do procedimento por défice excessivo e a operação de capitalização da Caixa”. Para perceberem “aquilo que o Presidente tem na cabeça quando fala em estabilidade financeira”, justificou.