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Ferro Rodrigues diz que a sua “imparcialidade é total”

José Carlos Carvalho

Afirmação do Presidente da Assembleia da República surge depois de Luís Montenegro ter defendido, em entrevista ao “Público”, que Ferro Rodrigues “teve uma intervenção muito infeliz” no âmbito do processo sobre a CGD

O presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, afirmou esta quinta-feira que a sua "imparcialidade é total" e que só é condicionado pela Constituição, pelo regimento [do Parlamento] e pelas leis.

"Efetivamente a minha imparcialidade é total. É evidente que há pessoas que continuam a pensar que a maioria é a mesma de há um ano e meio, mas, infelizmente para elas, não é e, portanto, têm que se habituar às novas regras e às novas circunstâncias democráticas da Assembleia da República (AR)", disse Ferro Rodrigues aos jornalistas, à margem da 11.ª sessão plenária da Assembleia Parlamentar para o Mediterrâneo (APM), a decorrer no edifício da Alfândega do Porto.

Em entrevista publicada esta quinta-feira no jornal “Público”, o líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, acusa Ferro Rodrigues de parcialidade, considerando que o presidente da AR "teve uma intervenção muito infeliz" no âmbito do processo sobre a Caixa Geral de Depósitos (CGD).

O presidente da AR "começou por levantar obstáculos sem fundamento à delimitação do objeto inicial e chegou ao limite de, na conferência de líderes, dizer ao PSD e ao CDS que era um mau serviço ao parlamento suscitar o assunto do boicote a que estamos a ser sujeitos", acrescenta Luís Montenegro.

Ferro Rodrigues sustentou hoje que "todos os deputados sabem" que não é "condicionável a não ser pela Constituição, pelo Regimento e pelas leis", e que não é "condicionável nem por ameaças, nem por determinado tipo de pressões, venham elas de onde vierem".

"Não sou pressionável a não ser condicionado pela Constituição, pelo regimento e pelas leis, não por qualquer entrevista de um dirigente político", reafirmou.

O presidente da AR acrescentou estranhar que ainda não tenha entrado na mesa da Assembleia qualquer informação sobre a nova comissão de inquérito sobre o envolvimento do ministro das Finanças, Mário Centeno, na polémica da Caixa Geral de Depósitos, anunciada no dia 17 pelo PSD e CDS-PP.

"Acho muito estranho que ao fim de quase uma semana de anúncio nada tenha entrado", disse, "portanto, eu estou à espera que chegue essa informação, de que entrou na mesa da Assembleia a nova comissão de inquérito".

Ferro Rodrigues disse ainda que "os portugueses podem estar tranquilos" quanto à sua atuação sobre "tudo o que se passar em matéria de comissões de inquérito".

Quando questionado se já tem definido o objeto da nova comissão de inquérito sobre o que se passou na CGD, o Luís Montenegro responde, na mesma entrevista, que "o texto está praticamente pronto".

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