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PS acha “muito precipitado” falar de inquérito às transferências para offshores

TIAGO PETINGA / Lusa

Os socialistas não afastam a possibilidade de criar uma comissão de inquérito, mas só no caso de as informações prestadas pelo atual e anterior secretários de Estado dos Assuntos Fiscais forem “insuficientes ou demasiado graves”

O PS considera "verdadeiramente alarmante" saber das transferências feitas para offshores sem investigação do Fisco, que aconteceram entre 2011 e 2014, defendendo que o assunto "merece ser cabalmente esclarecido". Porém, ainda que não afaste a possibilidade de ser criada uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) sobre esta matéria, o deputado socialista João Paulo Correia considera "muito precipitado" dizer se a CPI é necessária.

"Temos de ser responsáveis no trabalho parlamentar, não podemos andar a anunciar todos os dias inquéritos parlamentares. É confuso e polui o ambiente político. Se aquilo que vamos ouvir do atual Governo, sobretudo sobre o que encontrou na Autoridade Tributária, e o que nos disser o anterior secretário de Estado for insuficiente ou demasiado grave para passar só pela apreciação política, não podemos fechar essa porta", declarou o deputado.

"Mas agora, nenhum grupo parlamentar tem informação para dizer se é ou não necessário avançar com o inquérito parlamentar", disse esta tarde aos jornalistas presentes em São Bento.

João Paulo Correia considera "grave" que tenham escapado da máquina fiscal 10 mil milhões de euros. "Queremos saber por que é que isto aconteceu, quem foi o responsável por 10 mil milhões não terem merecido o tratamento fiscal e por que é que neste período o anterior Governo não publicou as estatísticas".

O deputado do PS começou por lamentar que esta ausência de investigação da parte do Fisco tenham ocorrido "no mesmo período em que o anterior Governo decidiu interromper a publicação estatística que se debruça sobre essas transferências no Portal das Finanças". E lembrou que foi interrompida em 2011 e "reiniciada por este Governo em 2016".

Os pedidos para que o anterior secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Paulo Núncio, e o atual, Rocha Andrade, sejam ouvidos no Parlamento já deram entrada.