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PCP faz avisos ao Governo e apela à luta de massas

tiago petinga/lusa

O comité central comunista fez avisos “sérios” ao PS e prometeu ser intransigente na defesa dos seus objetivos políticos. Mas, na conferência de imprensa, Jerónimo foi, sobretudo, confrontado com aquilo a que chama o “folhetim da Caixa”

Jerónimo de Sousa demorou cerca de 12 minutos a ler o comunicado da reunião do comité central que, este domingo, se realizou na sede do PCP. Falou na reestruturação da dívida, na necessidade de programar a saída do euro e impôs linhas vermelhas à conduta do Governo, porque os comunistas não aceitam mais medidas de “consolidação orçamental”. Mas na hora das perguntas dos jornalistas, só sobraram para o líder do PCP dúvidas sobre a Caixa.

“Eu fico imensamente preocupado que, depois de ter procurado dizer coisas sérias, continue este folhetim da CGD”, lamentou Jerónimo de Sousa. Na verdade, por mais que os comunistas tentem (assim como a esquerda e o próprio Presidente da República), o assunto da Caixa ainda é capaz de 'engolir' tudo o resto. E, as “coisas sérias” que os comunistas tinham para dizer ficaram para segundo plano das manchetes dos jornais.

E quais eram? Basicamente uma série de avisos ao Governo sobre o que os comunistas entendem ser o caminho a seguir. Desde logo, porque “o País não tem que se sujeitar a mais medidas de consolidação orçamental”. O PCP fez as contas e assume que Portugal tem “já hoje um saldo orçamental primário superior a quatro mil milhões de euros”. Ou seja, as contas públicas até estão bem, se excluirmos os juros da dívida da lista da despesa do Estado e, por isso mesmo, tal como tem repetido insistentemente, o PCP insiste na renegociação, na “libertação da submissão ao euro”, no controlo público na banca e numa “política externa independente e soberana”, o que significa, longe dos constrangimentos de Bruxelas.

E a luta continua?

As propostas comunistas não podiam estar mais distantes do que consta no programa do Governo, mas isso não constitui problema. Serve, antes, para o PCP marcar posição e reafirmar que o Executivo socialista toma “opções contrárias ao sentido de uma política capaz de responder aos problemas nacionais e afirmar a soberania”.

As linhas vermelhas entre PCP e PS não desapareceram com a “geringonça”. A Europa divide os dois aliados parlamentares, mas mesmo naquilo que os comunistas consideram ser os “avanços e conquistas” alcançados com a nova solução governativa só existiram porque “o PS não dispõe de um Governo maioritário” e foi obrigado pelos parceiros de coligação a tomar decisões “que nunca adotou nem adotaria”.

A lista de objetivos do PCP continua extensa e passa pela reposição de direitos sociais, salários e rendimentos e por uma “política que assegure o investimento, o aumento da produção nacional e a criação de emprego”. E os avisos ficam dados: “o PCP não transigirá perante a política de direita e as opções que lhe deem corpo, venham de onde vierem”, diz o comunicado do comité central.

Mais adiante, surge a promessa de não desbaratar “possibilidades e perspetivas criadas no plano político com a nova correlação de forças”. E para isso, os comunistas têm uma ameaça real, que resumem numa frase batida, mas sempre reutilizada, “a luta dos trabalhadores e do povo”. “Com a consciência de que a solução para os problemas do País exige a rutura com a política de direita, o comité central do PCP destaca o papel e o valor insubstituível da luta de massas”, lê-se no comunicado. O recado é para o Governo. Se não é uma ameaça, parece.