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PCP critica política de “dois pesos e duas medidas” para taxar trabalho e grandes fortunas

PAULO NOVAIS/ Lusa

Reagindo à notícia de que o fisco não vigiou transferência de 10 mil milhões para offshore, Jerónimo de Sousa frisou que o seu partido “sempre defendeu a necessidade de, tanto no plano nacional como internacional, acabar com o sistema de fuga ao fisco e fuga de capitais”

O secretário-geral do PCP criticou esta terça-feira que existam "dois pesos e duas medidas" para taxar "quem trabalha e quem tem grandes fortunas", reagindo à notícia de que o fisco não vigiou transferência de 10 mil milhões para 'offshore'.

"Quando se trata de taxar e colocar os impostos sobre quem trabalha, quem trabalhou, quem tem as suas poupanças, rapidamente é executado. Quando se trata de dinheiros ganhos em especulação, existe sempre esta vulnerabilidade que permite que milhares de milhões de euros saiam do nosso país sem a devida taxação", referiu Jerónimo de Sousa.

O líder comunista comentava, em Vila Nova de Famalicão, distrito de Braga, a notícia desta terça-feira do jornal Público de que duas dezenas de transferências, feitas entre 2011 e 2014, foram comunicadas pelos bancos mas não foram alvo do controlo pelo fisco, estando omissas das estatísticas.

O mesmo jornal conta que o caso já está a ser investigado pela Inspeção-Geral das Finanças.

"Há dois pesos e duas medidas. Quem trabalha e quem trabalhou e tem a sua pequena poupança, não pode fugir nem um milímetro. Os grandes e poderosos, donos de fortunas abissais, por razões de incapacidade ou falta de legislação, sempre conseguiram", referiu Jerónimo de Sousa.

O líder do PCP procurou frisar que o seu partido "sempre defendeu a necessidade de, tanto no plano nacional como internacional, acabar com o sistema de fuga ao fisco e fuga de capitais".

"[Defendemos] a importância do reforço da monitorização aos donos de grandes fortunas. Mas enquanto não se resolver o problema das 'offshore', bem podemos melhorar a ação fiscalizadora que o resultado será o mesmo", apontou, concluindo com um "desabafo".

"Quantas coisas não daria para fazer no nosso país com 10 mil milhões? Tantas coisas num país que precisa de tanto de investimento", comentou.