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Sócrates responde a Cavaco

RUI OCHOA

O ex-primeiro-ministro acusa Cavaco Silva de ter publicado um livro que não é mais do que “um autorretrato perfeito das consequências que o ressentimento pode ter no caráter de um político”. José Sócrates não se poupa a desmentidos, num texto de opinião publicado no Diário de Notícias

“Conversas distorcidas e falsas, que não passam de vulgar exercício de mesquinhez disfarçado de relato histórico”. É assim que o ex-primeiro ministro José Sócrates define “Quinta-feira e outros dias”, o livro que Cavaco Silva acaba de lançar.

Sócrates atém-se àquilo a que chama “episódio das escutas” para desmentir categoricamente o antigo Presidente da República. “Custa acreditar na perfídia que a recente versão do livro contém: afinal, as notícias sobre as escutas teriam sido intencionalmente colocadas na imprensa pela 'tenebrosa máquina de propaganda do PS', para, claro está, afetar a credibilidade do Sr. Presidente”, ironiza o ex-primeiro ministro.

“Por mais desprezo que sinta - e sinto - por tal estilo e por tal literatura, não posso consentir que tal deturpação da verdade fique sem resposta”. O que se passou, diz José Sócrates, foi que “pela primeira vez na história democrática do país ficou provado que um Presidente concebeu e executou uma conjura baseada numa história falsa, por forma a deitar abaixo um governo legítimo em funções”.

Sócrates acusa ainda Cavaco Silva de se pautar pela “vingança e desforra” e defende que o antigo Presidente “não tem moral para dar lições de lealdade institucional”.

O artigo de opinião acaba com a promessa de continuidade da análise à vercidade dos factos apresentados por Cavaco Silva no seu livro. “E por aqui me fico, por agora.”

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