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Matos Correia demite-se da comissão de inquérito à Caixa

O deputado do PSD diz que o objeto da comissão parlamentar de inquérito à Caixa Geral de Depósitos foi esvaziado pela maioria parlamentar em atitudes que “violam a lei” e consistem num “atropelo à democracia”

“Todos temos um limite e o meu limite foi ultrapassado ontem“, afirmou o deputado do PSD, João Matos Correia, ao anunciar esta quinta-feira que se demitiu da presidência da comissão parlamentar de inquérito à Caixa Geral de Depósitos por não estar disponível para compatuar com “atitudes que violam a lei” e que consistem num “atropelo à democracia”.

Matos Correia disse que apresentou a sua demissão ao presidente do parlamento Ferro Rodrigues, devido ao que ocorreu ao longo das últimas semanas no interior da comissão, considerando que os grupos parlamentares da maioria “esvaziaram” o objeto da mesma.

No seu entender, os deputados desses grupos parlamentares agiram contra a lei, interpretando o objeto de inquérito “de acordo com as suas própria convicções”.

O deputado social democrata considera mesmo que o se passou coloca em causa a continuidade das comissões parlamentares de inquérito, afirmando que a “maioria de esquerda” abriu um perigoso precedente de desrespeito pelos direitos das minorias, que poderá voltar a surgir em outro tipo de situações .

Matos Correia já na quarta-feira indicara que não sabia se iria permanecer na função por "ter dúvidas" de que estivesse a conseguir assegurar o "respeito dos interesses das minorias", isto é, dos grupos parlamentares do PSD e do CDS, que têm menos representação nesta comissão devido ao resultado das eleições legislativas.

Uma posição que surgiu depois de os grupos parlamentares que suportam o Governo socialista (PS, Bloco de Esquerda e PCP) terem chumbado os requerimentos apresentados pelo PSD e pelo CDS relativos à utilização da informação trocada entre o ministro das Finanças, Mário Centeno, e o ex-presidente da Caixa Geral de Depósitos (CGD) António Domingues, sobre as condições para que o último aceitasse o convite do Governo para liderar o banco público.