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Ferreira Leite: Mário Centeno “enquanto ministro não sai fragilizado”

No habitual espaço de comentário, Manuela Ferreira Leite pouco falou sobre o assunto CGD. Sublinhou que ficar abaixo dos 3% de défice era “um objetivo inicial” que agora “foi ganho”, deixando uma margem “bastante grande para que o valor possa ser mantido com solidez”. E não deixou de “notar que os partidos que a apoiam o Governo se tornaram muito conservadores”

Manuela Ferreira Leite considerou que os resultados alcançados pelo Governo quanto ao défice “correspondem aos objetivos” traçados. No habitual espaço de comentário na TVI 24, esta quinta-feira à noite, a antiga ministra das Finanças referiu ainda que é benéfico que o valor tenha ficado muito abaixo doa 3% exigidos pelas instâncias europeias.

“Os países estão sob regras, portanto as instâncias vigiam os países a título preventivo ou corretivo. Nós temos entrado e saído [do procedimento por défice excessivo]. Acho que é benéfico ter-se ficado bastante abaixo de 3%, pois há uma margem bastante grande para que esse valor possa ser mantido com uma grande solidez”, justificou.

Para Ferreira Leite, a margem entre os 2,1% de défice conseguido em 2016 e os 3% exigidos por Bruxelas é suficiente para que no próximo ano Portugal permaneça dentro das normas europeias, mesmo sem as medidas extraordinário que foram implementadas no último ano.

A ex-líder do PSD sublinhou que os resultados foram conseguidos com um Governo que “é apoiado por partidos que são obsessivamente contra a preocupação com o défice”. Lembrou também que há críticos que acusam o Executivo de ter ido mais longe do que era necessário. “Não deixo de notar que os partidos que apoiam o Governo se tornaram muito conservadores”, disse.

Também tendo em conta os resultados agora revelados, Ferreira Leite considera que Mário Centeno “não sai fragilizado enquanto ministro” da polémica que envolve a Caixa Geral de Depósitos.

“Não é esta conversa que o afeta na sua atuação enquanto ministro. A sua atuação é a que é. Gostemos ou não… Ainda por cima olhando para os resultados, que podem ser sujeitos a controvérsia e a críticas, mas são resultados que correspondem o que é a política economia e que são as exigências de Bruxelas”, justificou.

Já na semana passada, também no espaço de comentário na TVI24, referiu que a questão da correspondência trocada entre Centeno e António Domingues está a ser tratada como “se fosse um problema fundamental” do banco público quando “não é”. “Isto não é um problema dos portugueses. É político e é uma trica entre duas pessoas”, disse.

Livro de Cavaco “tem valor”

Embora ainda não tenha lido o livro de Aníbal Cavaco Silva, que esta quinta-feira foi apresentado, Ferreira Leite considera que a obra “tem valor”, que é “um prestar de contas e não um acerto de contas”. Para a antiga líder social-democrata, “é uma pena que todos os políticos não o façam”

“É prestar contas, explicar qual foi o seu pensamento no momento de tomar as decisões. Acho que é um exercício de responsabilidade. É evidente que as p+pessoas podem ou não concordar e que está sujeito a críticas”, considerou Ferreira Leite. “Acho que é contributo cívico e de responsabilidade politica, que não é inédito porque já os fez com os outros cargos políticos”, acrescentou referindo-se aos livros que o ex-Presidente escreveu depois da passagem pelos cargos de ministro das Finanças e primeiro-ministro.