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Digital e Mais Liberal. É um novo partido que se anuncia

Uma das primeiras reuniões da iniciativa “Mais Liberal”

DR

Quatro capítulos, cinco páginas e sete tópicos abertos à discussão de todos os que estejam interessados em participar. É assim o “Manifesto Portugal mais Liberal” que começa por querer ser movimento em torno de uma plataforma na Net,mas admite transformar-se em partido político. Um partido diferente, sem operários nem camponeses, com gente jovem vinda sobretudo da área tecnológica e da comunicação

No início do século XX os partidos políticos queriam ter nas suas fileiras as massas operárias e camponesas. Agora, na época em que Net mudou muitos hábitos de comunicação e relações entre pessoas... há quem acredite que ela pode chegar à formação de novos movimentos políticos. Ao fim da tarde desta quinta-feira, um grupo de pessoas maioritariamente entre os 35 e os 45 anos vão apresentar o “Manifesto Portugal mais Liberal”, na Bilbioteca Municipal Orlando Ribeiro, em Lisboa.

“Juntámos um grupo de pessoas com uma visão global da sociedade que acha que em Portugal não existe um partido com assento na Assembleia da Repíblica que represente a visão liberal da sociedade”, disse ao Expresso Rodrigo Saraiva, 40 anos, trabalhador no setor da comunicação institucional, e um dos mais ativos elementos desta iniciativa que surgiu há cerca de ano e meio.

“No primeiro momento, um grupo com sete ou oito pessoas, entre os quais o Bruno Horta Soares e o Nuno Santos Fernandes [entre outros] juntou-se” para debater a estratégia a seguir. Olharam para alguns dos partidos que surgiram em Portugal nas últimas décadas e concluíram que “o PRD foi um fogacho e o PSN outro fogacho” de pouca duração. Safou-se o Bloco de Esquerda porque é um partido que “surgiu de formações partidárias pré-existentes e o PAN ainda é cedo para falar”.

“Na política é preciso fazer diferente”

Dito por outras palavras, os promotores do “Manifesto Portugal mais Liberal” rapidamente concluíram que “não basta ter vontade [de fazer um partido] e conseguir 7500 assinaturas para o legalizar” para ter sucesso.

“Na política é preciso fazer diferente” diz Rodrigo Saraiva: “É preciso testar. Por isso começámos por fazer uma primeira reunião onde apareceram cerca de 30 pessoas”. Foi em Carnaxide, nas instalações da “World Academy”.

Apostaram na criação de uma plataforma interativa com um modelo semelhante “à Wikipédia”, e em setembro de 2016 criaram a “Iniciativa Liberal – Associação” (IL). Decidiram mostrar serviço a quem os seguia e, em outubro, a IL convidou Hans Van Baalen, presidente do ALDE [Partido da Aliança dos Liberais e Democratas pela Europa] para participar num evento em Lisboa.

O Presidente do ALDE, Hans Van Baalen, esteve em Lisboa em outubro de 2016 para participar num encontro da “Associação Iniciativa Liberal”

O Presidente do ALDE, Hans Van Baalen, esteve em Lisboa em outubro de 2016 para participar num encontro da “Associação Iniciativa Liberal”

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Apresentam-se como um grupo que defende ideias novas, uma visão que não passa pela divisão formal e tradicional entre esquerda / direita, mas a doutrina que reinvindincam nasceu em abril de 1947, quando um grupo de 19 partidos políticos liberais se reuniu em Oxford para produzir um documento que estabelecia as bases programáticas do movimento Liberal a nível internacional.

Esse documento ficou conhecido como Manifesto de Oxford e é a biblia que inspira o grupo de portugueses que quer lançar as bases de um novo partido no nosso país.

Um partido ‘à la carte’

“Seremos partido se as pessoas quiserem”, explica Rodrigo Saraiva ao Expresso: “A plataforma está aberta a todos, começámos com um grupo de pessoas na área de Lisboa mas agora temos contributos de muitos pontos do país; vamos apresentar sete áreas temáticas para que as pessoas possam colocar questões sobre elas“.

“Recusamos a visão simplista de um mundo separado entre esquerda e direita, naquela que é visão clássica desta divisão. Quero uma economia com menos Estado, o que me pode colocar mais à direita na visão tradicional, mas sou a favor da adoção por casais do mesmo sexo, o que me coloca mais à esquerda”.

Confrontado pelo Expresso sobre a introdução da questão da idade/gerações na matriz doutrinária do “Mais Liberal”, Saraiva responde: “Acreditamos que existe um problema geracional” em Portugal. Uma questão que divide pessoas em volta dos chamados temas fraturantes, e dos que acham que a política se faz na rua contra os que a pretendem fazer sobretudo na Net.

Esta quinta-feira [16 de fevereiro] ao fim da tarde, o “Manifesto Portugal mais Liberal”, diz aos portugueses que quer um país mais liberal em quatro pontos fundamentais: cidadania; educação conhecimento e cultura: economia, empregabilidade, competitividade e desenvolvimento sustentável; saúde e bem estar. Noutros três tópicos dispensam o mais liberal, mas querem debater a justiça, segurança e defesa digital; administração e gestão das funções do Estado... e por último o “portugal mais fora da caixa — ou seja, aquela área temática em que cabem todos os temas que não encaixam nos anteriormente definidos”.

Os promotores do Manifesto prometem temas “disruptivos” e admitem passar a partido se a interação for favorável. Mas, como sempre aconteceu com todos os políticos dos partidos já existentes, Rodrigo Saraiva já anunciou que “na política é preciso fazer diferente”.