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Política

PSD insiste que Centeno está “preso por arames”

Luís Barra

Sociais-democratas aproveitam audição a Centeno na Comissão de Orçamento e Finanças para reiterar críticas à forma como o “ainda ministro” conduziu as negociações com o anterior presidente da CGD para garantir a isenção de apresentação de declarações de rendimentos. Mário Centeno não respondeu às críticas

O deputado do PSD António Leitão Amaro defendeu esta manhã, no Parlamento, que o "ainda ministro" das Finanças Mário Centeno tem a "autoridade arrasada" na sequência da "sucessão de situações, confusões e equívocos que o colocaram preso por arames".

Durante uma audição regimental a Mário Centeno na Comissão de Orçamento e Finanças, Leitão Amaro começou por defender que esta comissão não deveria "substituir a Comissão Parlamentar de Inquérito à recapitalização da CGD". Mas que, tendo em conta as recentes polémicas em torno da CGD –nomeadamente sobre compromisso que Centeno terá, ou não, assumido com o anterior presidente da CGD António Domingues, para garantir a isenção de declaração de rendimentos e património no Tribunal Constitucional – não poderia passar ao lado do assunto.

"O que vimos e assistimos nos últimos dias prova que a responsabilidade está na conduta do Governo, do senhor ministro e, percebe-se também, do senhor primeiro-ministro", defendeu Leitão Amaro, acusando Centeno e os partidos que garantem a maioria parlamentar ao Governo de promoverem "uma enorme falta de transparência" com o chumbo ao pedido para que a CPI tenha acesso aos SMS trocados entre Centeno e Domingues.

"O que escondem? Que regime democrático credível vive com esta falta de transparência? Porque é que esconde todas as formas de correspondência, inclusive SMS, que sustentam a verdade nesta história?", questionou Amaro, antes de critcar também o facto de o Governo ter acedido a que os advogados de Domingues tenham produzido a lei que esteve na base da alteração ao estatuto do gestor público. "Foi feita uma lei à medida pelos próprios advogados dos interessados, deixando o Estado esmagado sob os interesses de privados", criticou.

Após esta intervenção, Mário Centeno respondeu apenas às perguntas do deputado do PSD sobre a recapitalização da CGD e sobre a evolução da economia e passou ao lado de todas as interpelações sobre as recentes polémicas relacionadas com o anterior presidente do banco público.

A resposta mais contundente a Leitão Amaro acabaria por ser feita pelo deputado socialista João Galamba, que criticou a intervenção de Leitão Amaro, nomeadamente por ter colocado em causa a credibilidade de Centeno. "Passaram um ano a dizer que o crescimento económico ia ser impossível. Deveria ter a humildade de reconhecer que se enganou e que todos os resultados superaram as expectativas", sintetizou Galamba.